A prévia da inflação oficial referente a março apresentou alta de 0,44%, influenciada principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa desaceleração frente aos 0,84% registrados em fevereiro.
Os dados, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo IBGE, mostram que o IPCA-15 de março também ficou abaixo do índice apurado em março de 2025, de 0,64%. No acumulado em 12 meses, o índice registra alta de 3,9%, dentro da meta do governo, que permite até 4,5% ao ano.
Comportamento por grupos
Todos os nove grupos de despesas acompanhados pelo IBGE subiram entre fevereiro e março. O grupo de Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela elevação, com aumento médio de 0,88% e impacto de 0,19 ponto percentual no IPCA-15.
As demais variações e respectivos impactos foram: Habitação 0,24% (0,04 p.p.); Artigos de residência 0,37% (0,01 p.p.); Vestuário 0,47% (0,02 p.p.); Transportes 0,21% (0,04 p.p.); Saúde e cuidados pessoais 0,36% (0,05 p.p.); Despesas pessoais 0,82% (0,09 p.p.); Educação 0,05% (0,00 p.p.); Comunicação 0,03% (0,00 p.p.).
Alimentação
No detalhamento de Alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio ficou 1,10% mais cara em março. Em fevereiro havia sido 0,09 p.p. Entre os produtos que puxaram a alta estiveram açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%). Em termos de contribuição ao índice mensal, as carnes representaram 0,04 p.p. e o leite, 0,03 p.p. Com aumentos superiores a 10%, feijão e açaí contribuíram, cada um, com 0,02 p.p.
A alimentação fora do domicílio subiu 0,35% em março; em fevereiro havia registrado variação de 0,46%.
Outros itens de destaque
Entre os 377 subitens pesquisados pelo IBGE, as passagens aéreas exerceram a maior pressão individual sobre o IPCA-15, com alta de 5,94% e impacto de 0,05 p.p. No conjunto de combustíveis, a prévia de março apontou deflação média de 0,03%. Entre os derivados, gás veicular caiu 2,27%, etanol recuou 0,61% e gasolina, 0,08%; o óleo diesel, porém, subiu 3,77%.
Contexto internacional e medidas internas
Autoridades e agentes do setor acompanharam o comportamento dos combustíveis em função dos distúrbios na cadeia global de petróleo provocados pela guerra no Irã. No Brasil, a Petrobras chegou a anunciar aumento de R$ 0,38 por litro no diesel, e o governo adotou medidas para conter a elevação, como a zeragem das alíquotas do PIS e da Cofins sobre o diesel. O IBGE lembrou que o país importa cerca de 30% do óleo que consome, o que torna os derivados mais sensíveis a pressões externas.
IPCA-15 e IPCA
O IPCA-15 utiliza metodologia semelhante à do IPCA, referência para a meta de inflação do governo (3% em 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual). A principal diferença é o período de coleta: na prévia, os preços foram coletados entre 13 de fevereiro e 17 de março. Ambos os índices consideram uma cesta de produtos e serviços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos (o salário mínimo vigente é R$ 1.621).
O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia). O IPCA pleno abrange 16 localidades. O IPCA cheio relativo a março será divulgado em 10 de abril.
Com informações de Agência Brasil
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