O governo federal lançou nesta sexta-feira (14), em Belém, durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), o edital da quarta rodada do Eco Invest Brasil. A nova etapa do programa concentrará todos os recursos na Amazônia e pretende mobilizar até US$ 4 bilhões em financiamento misto para iniciativas de desenvolvimento sustentável.
Modelo de financiamento
Previsto para o início de 2026, o leilão combinará capital público e privado por meio do conceito de blended finance. O Tesouro Nacional emprestará dinheiro a instituições financeiras selecionadas com juros de 1% ao ano. Em troca, esses bancos deverão captar um montante privado equivalente a quatro vezes o valor recebido, sendo pelo menos 60% originado no exterior.
Além disso, o Tesouro oferecerá um incentivo extra de 20% sobre o volume de recursos levantados. Esse bônus deverá ser usado em assistência técnica e capacitação voltadas a projetos considerados mais complexos ou arriscados, com ênfase em pequenos produtores.
Proteção cambial
Para reduzir riscos de variação do dólar, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) disponibilizará, via Banco Central, US$ 3,4 bilhões em derivativos cambiais. A operação deve começar no primeiro semestre de 2026.
Áreas prioritárias
Pela primeira vez, todo o leilão será dedicado à Amazônia. Podem participar pequenas empresas, cooperativas, comunidades tradicionais e produtores locais com projetos em três frentes:
- Bioeconomia – cadeias da sociobiodiversidade, bioindústrias, insumos sustentáveis e restauração.
- Turismo ecológico – iniciativas que atraiam visitantes internacionais.
- Infraestrutura habilitante – energia renovável descentralizada, conectividade digital, transporte e logística que apoiem cadeias produtivas locais.
Metas e cronograma
A expectativa é mobilizar até US$ 1 bilhão em recursos públicos — incluindo o Fundo Clima e o próprio BID — e até US$ 3 bilhões em capital privado. A documentação detalhada será publicada nos próximos dias. As propostas deverão ser apresentadas no início de 2026, quando também está previsto o anúncio dos vencedores.
Em caso de empate, serão avaliados critérios como capacidade de alavancagem, potencial de bioindustrialização e porcentual de capital estrangeiro.
Coordenação e histórico
Coordenado pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente, com apoio do BID e da Embaixada do Reino Unido, o Eco Invest Brasil integra o Plano de Transformação Ecológica. Desde sua criação na COP28, em 2023, o programa realizou três leilões que somaram mais de R$ 75 bilhões (cerca de US$ 13,16 bilhões), dos quais R$ 46 bilhões (US$ 8 bilhões) vieram de investidores internacionais. Segundo o Tesouro, já existem compromissos de captação externa que alcançam US$ 14 bilhões.
Repercussão
Em mensagem gravada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o novo leilão comprova que “a floresta em pé gera mais valor do que a devastação”. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou o fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade e do turismo sustentável. O presidente do BID, Ilan Goldfajn, disse que a operação completa a estrutura financeira do programa, reunindo capital de risco, liquidez e proteção cambial. Já a enviada especial para o clima do Reino Unido, Rachel Kyte, classificou a ação como demonstração da liderança brasileira na conversão do patrimônio natural em prosperidade.
Para 2026, o governo prevê ritmo menor, com um ou dois leilões, concentrando-se em aprimorar a governança dos projetos e criar um portal público de transparência de resultados.
Com informações de Agência Brasil
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