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Renda Irlandesa: a ponte entre a Irlanda e Sergipe

Cultura

Renda Irlandesa: a ponte entre a Irlanda e Sergipe

Publicidade Estudo da UFS detalha a evolução do artesanato de Divina Pastora que conquistou a alta-costura internacional Publicidade Há mais de meio século as mãos habilidosas de mulheres no interior sergipano transformam fios e agulhas em verdadeiras obras primas. Os desenhos refletem a história de uma técnica de rendado importada da Europa que faz sucesso […]

18/06/2026 · 15h54
Renda Irlandesa: a ponte entre a Irlanda e Sergipe

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Estudo da UFS detalha a evolução do artesanato de Divina Pastora que conquistou a alta-costura internacional

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Há mais de meio século as mãos habilidosas de mulheres no interior sergipano transformam fios e agulhas em verdadeiras obras primas. Os desenhos refletem a história de uma técnica de rendado importada da Europa que faz sucesso até hoje no mundo.

Em Divina Pastora, município de pouco mais de quatro mil habitantes localizado no Leste do estado, a Renda Irlandesa é mais que um ofício. Cerca de 150 mulheres mantêm a tradição viva, alcançando a alta-costura até fora do país.

No mestrado em Ciência da Informação na Universidade Federal de Sergipe (PPGCI-UFS), Carlos Henrique Paes, sob orientação da professora Cristina de Almeida Barroso, refez o caminho da transmissão desse saber artesanal da República da Irlanda até o Brasil.

O pesquisador identificou a criação de nove tipos de rendas no país europeu, entre os anos 1820 e 1861. Todas elas influenciaram a técnica de rendado preservada em Sergipe em, pelo menos, um dos três aspectos analisados: técnica empregada, tipos de materiais e design das peças.

+ OUÇA: Rádio UFS explica como Renda Irlandesa se entrelaça com religião

Carlos Henrique concluiu ainda que três tipos de rendas surgidas na Irlanda se assemelham nos três aspectos ao modo de fazer de Divina Pastora. São elas: Renda Kenmare (1861), Renda Youghal (1846) e Renda Borris (1840).

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“Podemos afirmar que a Renda Borris é aquela que mais se possui similaridades com a nossa, pois ela utiliza de técnicas, materiais e designs praticamente iguais no processo de produção,” explica o pesquisador.

Por outro lado, o pesquisador aponta que o processo de ressignificação da Renda Irlandesa em Sergipe ocorreu com a introdução do lacê – cordão de algodão entrelaçado de fios de seda – na confecção das peças, dando um tom mais nobre ao artesanato.

“Quando nossas rendeiras substituíram o tecido pelo papel manteiga e pelo papel chumbo para executar os riscos, e, em seguida, o fitilho, o cordão e o cadarço pelo lacê, houve a ressignificação das informações culturais e adaptabilidade do processo de produção à realidade vivida,” ressalta.

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Patrimônio Cultural Imaterial 

Desde 2009, o ofício das rendeiras de Divina Pastora entrou para o Livro de Registro dos Saberes do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O Livro lista bens imateriais que reúnem conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades do Brasil. 

Selo de Indicação Geográfica

Três anos mais tarde, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu o selo de Indicação de Procedência à Renda Irlandesa de Sergipe, protegendo a tradição ancestral e o trabalho minucioso das artesãs.

Clique aqui para ler a dissertação completa.

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Estudo da UFS detalha a evolução do artesanato de Divina Pastora que conquistou a alta-costura internacional

Há mais de meio século as mãos habilidosas de mulheres no interior sergipano transformam fios e agulhas em verdadeiras obras primas. Os desenhos refletem a história de uma técnica de rendado importada da Europa que faz sucesso até hoje no mundo.

Em Divina Pastora, município de pouco mais de quatro mil habitantes localizado no Leste do estado, a Renda Irlandesa é mais que um ofício. Cerca de 150 mulheres mantêm a tradição viva, alcançando a alta-costura até fora do país.

No mestrado em Ciência da Informação na Universidade Federal de Sergipe (PPGCI-UFS), Carlos Henrique Paes, sob orientação da professora Cristina de Almeida Barroso, refez o caminho da transmissão desse saber artesanal da República da Irlanda até o Brasil.

O pesquisador identificou a criação de nove tipos de rendas no país europeu, entre os anos 1820 e 1861. Todas elas influenciaram a técnica de rendado preservada em Sergipe em, pelo menos, um dos três aspectos analisados: técnica empregada, tipos de materiais e design das peças.

+ OUÇA: Rádio UFS explica como Renda Irlandesa se entrelaça com religião

Carlos Henrique concluiu ainda que três tipos de rendas surgidas na Irlanda se assemelham nos três aspectos ao modo de fazer de Divina Pastora. São elas: Renda Kenmare (1861), Renda Youghal (1846) e Renda Borris (1840).

“Podemos afirmar que a Renda Borris é aquela que mais se possui similaridades com a nossa, pois ela utiliza de técnicas, materiais e designs praticamente iguais no processo de produção,” explica o pesquisador.

Por outro lado, o pesquisador aponta que o processo de ressignificação da Renda Irlandesa em Sergipe ocorreu com a introdução do lacê – cordão de algodão entrelaçado de fios de seda – na confecção das peças, dando um tom mais nobre ao artesanato.

“Quando nossas rendeiras substituíram o tecido pelo papel manteiga e pelo papel chumbo para executar os riscos, e, em seguida, o fitilho, o cordão e o cadarço pelo lacê, houve a ressignificação das informações culturais e adaptabilidade do processo de produção à realidade vivida,” ressalta.

Patrimônio Cultural Imaterial 

Desde 2009, o ofício das rendeiras de Divina Pastora entrou para o Livro de Registro dos Saberes do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O Livro lista bens imateriais que reúnem conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades do Brasil. 

Selo de Indicação Geográfica

Três anos mais tarde, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu o selo de Indicação de Procedência à Renda Irlandesa de Sergipe, protegendo a tradição ancestral e o trabalho minucioso das artesãs.

Clique aqui para ler a dissertação completa.

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