Mais de um ano depois das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, o estado ainda trabalha para recolocar oito escolas e a própria Secretaria Estadual de Educação em seus prédios originais. O foco da reconstrução não se limita às obras: um plano de contingência foi criado para preparar toda a comunidade escolar para futuros eventos climáticos.
Mapeamento de risco
Com apoio do Banco Mundial, foram identificadas 730 unidades de ensino com risco de destruição; 87 delas receberam classificação de maior vulnerabilidade e já iniciaram a adoção piloto do plano de contingência. “O que importa é que as escolas estejam preparadas emocionalmente, mentalmente e em termos de conhecimento, para que não haja quebra na continuidade do aprendizado”, afirmou a secretária de Educação, Raquel Teixeira.
Participação da comunidade
Os planos de contingência foram elaborados em parceria com especialistas nacionais e internacionais, mas cada escola discute e adapta o guia conforme sua realidade local. “O plano só faz sentido se for debatido por toda a comunidade escolar”, ressaltou Raquel, ao lembrar que, após as cheias, algumas instituições ficaram entre sete e 52 dias sem aulas.
Infraestrutura resiliente
Um dos modelos desenvolvidos é o Ginásio Resiliente, espaço projetado tanto para atividades esportivas quanto para acolhimento emergencial. A estrutura reforçada permite que o prédio funcione de forma independente em situações de abrigo, assegurando a continuidade das aulas.
Enchentes históricas
No primeiro semestre de 2024, as inundações impactaram 478 dos 497 municípios gaúchos, afetando cerca de 2,4 milhões de moradores. O desastre resultou em 184 mortes, 806 feridos e 25 desaparecidos.
Debate internacional
As ações gaúchas foram apresentadas nesta terça-feira (21) no II Fórum Internacional de Sustentabilidade e Educação, organizado pela Fundação Santillana e pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), sob o tema “A escola de hoje: resiliente, inclusiva e tecnológica”.
Casos na Espanha
O arquiteto espanhol José Picó, do escritório Espacios Maestros, relatou experiência semelhante em Valência, onde uma escola foi redesenhada com participação das famílias após tempestades em novembro de 2024. Segundo ele, os projetos priorizam integração com a natureza, bem-estar comunitário e sustentabilidade.
Prêmio Escolas Sustentáveis
O evento também anunciou a vencedora internacional do Prêmio Escolas Sustentáveis. A colombiana Institución Educativa Comercial de Envigado foi reconhecida pelo projeto “Metodologia de Pesquisa Socioambiental GCA” e recebeu o equivalente a R$ 25 mil. No Brasil, a Escola Estadual Brasil, de Limeira (SP), foi finalista do Ensino Médio com o sistema de alerta AquaTerraAlert; já a Creche Municipal Magdalena Arce Daou, de Manaus, concorreu na categoria Educação Infantil – Fundamental com o projeto IncluARTE SustentART.
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