No final de junho, a Meta anunciou a liberação de reservas de nomes de usuário no WhatsApp, permitindo que os usuários iniciem conversas sem a necessidade de compartilhar o número de telefone, uma funcionalidade similar à do Instagram. O objetivo da empresa é aumentar a privacidade dos usuários, evitando que seus números sejam divulgados e reduzindo o recebimento de mensagens e chamadas indesejadas, especialmente em um contexto brasileiro onde o celular é uma ferramenta essencial, inclusive para transações financeiras como o Pix.
No entanto, especialistas em cibersegurança alertam que o uso impróprio dos nomes de usuário pode ter o efeito contrário ao que foi proposto. Antes, a ausência do número de telefone impedia que estranhos pudessem contatar um usuário; agora, se o nome de usuário for igual ao de outra rede social, como Instagram, é possível que desconhecidos entrem em contato. Além disso, uma pessoa pode descobrir o perfil do usuário no WhatsApp e, a partir daí, buscar informações na rede social correspondente, o que pode aumentar o risco de stalkers.
Para entender melhor essa nova funcionalidade, o Canaltech entrevistou especialistas em cibersegurança e direito digital. Eles destacaram que os nomes de usuário tornam o WhatsApp mais semelhante ao Instagram, permitindo que usuários localizem pessoas apenas digitando o “@” na pesquisa, sem que o número do destinatário seja exibido. Contudo, é importante ressaltar que a busca deve ser pela correspondência exata do nome de usuário, ou seja, se a pessoa procurar por uma variação, como “fulanosilva” em vez de “fulano_silva”, o app não apresentará o perfil correto.
A Meta também informou que haverá a opção de um PIN de quatro dígitos que pode ser usado como uma senha para controlar quem pode enviar mensagens. Esse recurso, no entanto, será opcional. Atualmente, já é possível reservar um nome de usuário antes da implementação oficial, que deve ocorrer nos próximos meses.
Um dos principais benefícios de não compartilhar o número de telefone é a redução da exposição. Fábio Assolini, especialista em segurança da Kaspersky, ressalta que o número é considerado uma “chave de identidade valiosa”, usada para autenticação de dois fatores e cadastros bancários. O vazamento desse número pode permitir que criminosos realizem golpes complexos, como o SIM swap.
Embora os nomes de usuário possam oferecer maior privacidade, a forma como cada usuário escolherá seu identificador pode impactar essa segurança. Usar o mesmo nome de usuário que em outras redes sociais pode facilitar que alguém localize a pessoa no WhatsApp. A especialista Antonielle Freitas destaca que o cruzamento de informações entre plataformas pode aumentar o risco de assédio ou perseguição, já que o contato que antes dependia do número de telefone agora pode ser feito por meio do nome de usuário.
Recentemente, o governo da Índia, maior mercado do WhatsApp, solicitou que a Meta pausasse a nova funcionalidade, citando preocupações acerca da possibilidade de fraudes e golpes. O Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação do país argumentou que os nomes de usuário poderiam ser utilizados para se passar por autoridades ou instituições financeiras.



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