Antes de chegar às prateleiras, o papel higiênico é monitorado por satélites, sensores e IA no cultivo de eucalipto. As tecnologias identificam pragas, secas e incêndios, reduzindo riscos e quebras na produção.
Quem passa pelo corredor de papel higiênico do supermercado dificilmente imagina que, antes de chegar às prateleiras, o produto contou com a ajuda de satélites, inteligência artificial, sensores e até joaninhas. A tecnologia aplicada ao cultivo de eucalipto, principal matéria-prima da celulose usada na fabricação de papéis sanitários, tornou-se uma ferramenta crucial para reduzir riscos de quebra na produção diante das mudanças climáticas.
Secas mais intensas, aumento da incidência de pragas e incêndios florestais passaram a ameaçar a oferta de madeira, levando empresas do setor a investir em um manejo cada vez mais digital. A Suzano, maior produtora de celulose do mundo, adota uma estratégia que integra inteligência artificial, melhoramento genético, sensores conectados, monitoramento por satélite e controle biológico de pragas, visando aumentar a produtividade das florestas e reduzir perdas.
“Todos os anos incorporamos clones mais produtivos e mais resilientes às nossas operações, desenvolvidos especificamente para cada região onde atuamos”, afirma um executivo da empresa.
Isso significa desenvolver árvores que conseguem suportar melhor períodos de estiagem, temperaturas elevadas e novas pragas que surgem com as mudanças climáticas. Cada região recebe clones diferentes, selecionados conforme características como solo, relevo, regime de chuvas e temperatura. A Suzano mantém um banco genético com mais de 30 mil materiais e cultiva cerca de 170 clones distribuídos por seus 1,7 milhão de hectares de eucalipto.
A inteligência artificial desempenha um papel vital na operação, prevendo problemas antes que eles apareçam. Com imagens de satélite, algoritmos e uma ampla base de dados, é possível identificar alterações no desenvolvimento das árvores, sinais de estresse hídrico, focos iniciais de pragas e regiões com maior risco de incêndio.
“Hoje conseguimos sair de uma atuação reativa para uma atuação proativa e preditiva. Antes que uma anomalia aconteça, conseguimos identificá-la e tomar ações no campo”, destaca o executivo.
A antecipação de problemas impacta diretamente a oferta da matéria-prima. Menores perdas provocadas por incêndios, pragas ou eventos climáticos extremos resultam em maior estabilidade na produção de madeira que abastece as fábricas de celulose. A Suzano utiliza 133 torres equipadas com câmeras inteligentes, cujas informações são cruzadas com imagens de satélite para prever áreas de maior risco. Em 2024, a companhia reduziu em 61% os incêndios registrados em suas áreas de plantio.
Além disso, a empresa implementa uma tecnologia inovadora, utilizando inimigos naturais das pragas. Em vez de aumentar a aplicação de inseticidas, a Suzano cria organismos em laboratório para controlar espécies que atacam o eucalipto. Em 2024, mais de 340 milhões desses agentes biológicos foram liberados, reduzindo o consumo de inseticidas químicos.
O monitoramento também ocorre dentro da floresta. Sensores instalados nos troncos medem, em tempo real, o consumo de água, o crescimento das plantas e a captura de carbono. Esses dados são combinados com imagens de satélite e analisados por inteligência artificial, orientando decisões de manejo e melhorando a produtividade das florestas.
A digitalização busca não apenas aumentar a eficiência operacional, mas também reduzir riscos em toda a silvicultura. “O negócio florestal está se sofisticando e se tornando cada vez mais tecnológico. O uso de dados e inteligência artificial é fundamental para elevar a produtividade e tornar nossas florestas mais resilientes”, conclui o executivo.
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