A 1ª Semana da Economia Brasileira começou nesta segunda-feira (1º), no Rio de Janeiro, reunindo acadêmicos e economistas para discutir os principais avanços registrados na economia nacional desde 1985, período que marca o retorno da democracia. O encontro, que segue até 5 de dezembro, foi aberto pelo diretor de Planejamento e Relações Institucionais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Nelson Barbosa.
Ao iniciar os debates, Barbosa ressaltou a importância de olhar além das questões imediatas. “Se você ficar focado só no curto prazo, deixa de olhar principalmente os avanços que temos feito nos últimos 40 anos”, afirmou.
Debate sobre trajetória econômica
Os painéis da semana abrangem temas que marcaram a economia brasileira nas últimas quatro décadas, como a crise da dívida externa, a hiperinflação, a estabilização acompanhada de crises cambiais, os períodos de crescimento com distribuição de renda e as fases de estagnação interna.
Segundo o diretor do BNDES, a iniciativa de promover o evento partiu de um esforço do banco para retomar o papel de fomentador do debate sobre política econômica, trabalho intensificado desde a posse do presidente da instituição, Aloizio Mercadante.
Avanços sociais e desafios atuais
Barbosa destacou conquistas sociais desse período, entre elas a redução da pobreza, a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a ampliação de programas de transferência de renda, citados como fundamentais durante a pandemia de covid-19. “O Brasil conseguiu estabilizar e fazer a evolução”, disse.
O diretor observou que o país enfrenta, agora, desafios como o equilíbrio fiscal, a adoção de uma política tributária progressiva e a necessidade de crescimento econômico com inclusão. “O desenvolvimento do Brasil tem que ser para todos”, reiterou, citando Mercadante.
Clima, demografia e tecnologia no foco
Entre os desafios do século 21, Barbosa apontou as mudanças climáticas, que exigem ações governamentais para a transição energética e a preservação de florestas, e a questão demográfica, que demanda revisão dos sistemas de previdência, educação e saúde diante do aumento da expectativa de vida.
Ele também mencionou a transformação tecnológica impulsionada pela inteligência artificial, ressaltando a necessidade de gerar empregos de qualidade e definir como o país se posicionará na nova divisão internacional do trabalho.
Para Barbosa, o debate aberto e transparente sobre custos e benefícios de cada alternativa é essencial na formulação de políticas públicas. “Tudo na vida tem risco, inclusive não fazer nada”, concluiu.
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