O senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, declarou sua inocência em relação a um suposto envolvimento no escândalo do extinto Banco Master, em declaração feita nesta sexta-feira, 31 de julho. O parlamentar está sob investigação pela Polícia Federal (PF) e afirmou que o inquérito é uma ferramenta que serve para ‘afastar a culpa’.
Em uma entrevista à rádio Baiana FM, Wagner pediu para não comentar detalhes sobre as investigações, seguindo a orientação de seu advogado e da equipe de imprensa. No entanto, ele citou uma frase do ministro André Mendonça, que reforça que ‘o inquérito, a investigação, serve até para afastar a culpa’.
‘Eu tenho certeza de que vou provar minha inocência. O inquérito, evidentemente, demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição. Temos dois meses para a eleição. Sábado vai ser a nossa convenção com a presença do [presidente] Lula’, destacou.
Wagner enfatizou que continua a receber o apoio do presidente, mesmo após ter deixado a liderança do governo no Senado em decorrência das investigações da PF. ‘Estive com ele [Lula] quatro, cinco dias depois do episódio. Entreguei o cargo a ele para não contaminar, para não perturbar. Ele esteve aqui na inauguração do Hospital de Alagoinhas, fez questão de fazer uma referência a mim muito carinhosa e elogiosa, e amanhã vai estar comigo aqui [na Bahia]’, disse.
A investigação da PF alega que Wagner mantinha uma relação de confiança com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, e que esse vínculo o aproximou de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. A PF sustenta que essa relação criou canais para discutir pautas legislativas e operações de interesse do banco.
No dia anterior, 30 de julho, o ministro do STF, André Mendonça, divulgou documentos da PF que detalham a conexão entre Jaques e executivos do Banco Master. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.
De acordo com a PF, há indícios de que o senador teria recebido vantagens econômicas de gestores do Master em possível troca por sua atuação em favor da instituição. Uma das tratativas envolve a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, que teria seguido o mesmo esquema de aquisição de imóveis oferecidos como propina ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
A relação entre Wagner e Augusto Lima, conforme a PF, é descrita como ‘longa e duradoura’. Mensagens analisadas revelam encontros e viagens entre as famílias, evidenciando a proximidade. Em outubro de 2023, Wagner e sua esposa aceitaram um convite para passar um fim de semana na Ilha da Paixão, propriedade de Augusto, utilizando uma aeronave vinculada ao empresário.
Após essa viagem, a esposa do senador se comunicou com a família de Augusto, expressando afeto. Além disso, a PF identificou que Wagner e Augusto trocaram 74 ligações, totalizando mais de cinco horas de conversação entre novembro de 2023 e maio de 2025.
Os investigadores também encontraram uma lista de presentes de Natal que incluía Wagner entre outras autoridades, como o prefeito de Salvador, Bruno Reis, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Essa lista foi elaborada pela secretária de Augusto e continha itens de alto valor, como vinhos que variavam de R$ 2.500 a R$ 5.300.
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