Vereadores cobram retorno de fisioterapia e distribuição de fraldas; em contrapartida, parlamentar da base sugere “acomodação” de famílias e minimiza cuidados especializados.
A tribuna da Câmara de Vereadores de Areia Branca tornou-se palco de um forte desabafo sobre as deficiências no atendimento à saúde municipal. Os vereadores William dos Santos (Podemos) e Junior Gago (PSD) trouxeram a público o caso de uma criança atípica do povoado Junco que está sem acesso a sessões de fisioterapia desde março de 2025. William, que visitou a família pessoalmente, descreveu a situação como “de cortar o coração” e exigiu que a Secretaria de Saúde assuma a responsabilidade pelo acompanhamento contínuo de crianças autistas e com problemas graves de saúde.
O debate escalou quando o vereador Giseldo dos Passos (PSC) questionou a burocracia na entrega de insumos básicos, como fraldas descartáveis. Para o parlamentar, o limite de oito pacotes mensais ignora a realidade biológica de cada paciente. Giseldo propôs um recadastramento individualizado e a criação de um projeto de lei para valorização salarial dos profissionais de reabilitação, visando fixar especialistas no município.
Polêmica e Críticas à Gestão
O clima pesou com a intervenção do vereador Leonidas José (PMN). Em uma fala que gerou imediata repercussão negativa, o parlamentar sugeriu que a falta de fraldas ocorre porque famílias as vendem ou as utilizam indevidamente. Leonidas também minimizou a necessidade de suporte técnico para certos cuidados, afirmando que a própria mãe poderia resolver problemas como unhas encravadas com um cortador comum, questionando a necessidade de fisioterapeutas para tais fins. Além disso, o vereador afirmou que o povo “se acomoda” ao esperar por ligações da prefeitura, defendendo que os interessados devem ir atrás do serviço diariamente.
O Desabafo da Mãe
Rayanne, a mãe que deu origem ao debate após denunciar o descaso nas redes sociais, rebateu as falas de Leonidas. Ela confirmou que, desde sua denúncia, nenhuma equipe da prefeitura a visitou, exceto o IMUT — que reforçou não ser uma equipe de reabilitação.
“Ele disse que, se as unhas do meu filho estão entrando no corinho, é só cortar. Como se fosse algo simples, como se não existisse todo um cuidado por trás”, desabafou Rayanne, ressaltando a dificuldade logística de comparecer semanalmente à sede da saúde enquanto cuida sozinha de dois filhos pequenos.
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