Nesta segunda (7), a parceria sobe ao palco e promete mais que um show. Entre vídeos para o telão e ensaios, a dupla documentou a preparação em episódios mensais e fala dos planos após o festival.
Leo Janeiro e Simo Not Simon sobem juntos ao palco New Dance Order, do Rock in Rio, nesta segunda-feira (7). A apresentação é tratada pela dupla como um marco que vai além de mais uma data de festival: entre gravações para o telão do show e ensaios nos bastidores, os dois falaram sobre a parceria, a cena eletrônica brasileira e os planos após o festival.
Desde o anúncio do line-up, a dupla vem publicando, todo dia 7 do mês, um episódio da série “Road to Rock in Rio”, que documenta a preparação para a apresentação. A proposta era mostrar um lado menos visto da relação entre eles, segundo Leo.
“A gente estava justamente pensando em fazer algo meio diferente, que pudesse mostrar um pouco da nossa conexão fora do palco.”
Leo destaca que a produção tem caráter orgânico e é feita em grande parte por amigos pessoais de ambos, com cuidado proporcional ao tamanho do evento.
“Você vê que tudo é feito com muito carinho: a edição, as conversas, enfim.”
Para ele, a preocupação também passa por corresponder ao porte do Rock in Rio.
“A gente está construindo algo legal e, ao mesmo tempo, preocupado em fazer algo do tamanho que o Rock in Rio merece.”
A data tem significados distintos na carreira de cada um. Leo Janeiro completa 30 anos de carreira em 2026 e soma várias apresentações no festival, em formatos diferentes.
“Não sei se são sete ou oito, mas toquei em vários momentos: sozinho, com meus projetos, em back to backs.”
Para Leo, dividir o palco com Simo tem um valor especial.
“Pra mim é uma honra estar fazendo de novo essa parceria com o Simo. Às vezes eu até aprendo mais com ele do que, sei lá, talvez ele comigo.”
Já Simo viverá sua primeira vez no Rock in Rio e diz que a companhia de Leo traz segurança, ainda que o nervosismo exista.
“Traz muito mais segurança pra mim estar com o Leo, porque a gente acaba compartilhando e tentando chegar num meio-termo”
“Vai ser o maior palco que já toquei na minha vida. Acho que vai ser um desafio muito grande, que vai me testar muito como artista e como ser humano.”
A amizade entre os dois vem de pelo menos cinco anos e se transformou em parceria musical. Simo recorda o encontro inicial durante gravações do programa de sets no YouTube “Radar Pirajá” e a relação de mentoria que cresceu depois.
“Fiquei meio enchendo o saco dele ali, e o resultado final foi que nosso objetivo era enaltecer o Leo Janeiro a partir do set dele — e está lá até hoje.”
“É uma pessoa que, quando eu tenho alguma dúvida sobre gig, sobre qual é o meu próximo passo, sobre network, lançamento de música, literalmente tudo, eu ligo pra ele”
Além do festival, a parceria já rendeu passagem pela D-Edge, em São Paulo, e o lançamento de uma faixa inédita. A intenção é levar a parceria para além dos palcos de festival, com sets mais longos e formatos intimistas.
“Espero muito ter vários momentos com o Leo de chegar num clube, num formato mais intimista, com sistema de som, em que ele dê o play e eu não tenha a menor ideia do que vou tocar depois — a gente cria uma história musical ali”
Leo também traçou um panorama sobre o protagonismo da cena eletrônica brasileira, recordando influências que passam pela Bossa Nova, bandas dos anos 70 e a explosão de bandas nos anos 80, até DJs que abriram caminho a partir dos anos 90 e 2000, como Marky, Mau Mau, Renato Cohen, Anderson Noize e Gui Boratto.
“Esses DJs ajudaram demais a construir esse caminho que hoje tem uma galera trilhando, e eu fico muito feliz de poder, de alguma maneira, contribuir com isso”
“Antigamente, a gente podia dizer que fazia uma coisa tentando ficar parecida com o que era feito lá fora. Hoje acho muito diferente: a galera que está aqui dentro está procurando descobrir seu próprio som, mostrar suas raízes.”
Simo destacou ainda a presença de nomes do cenário underground no line-up e a amplitude do festival na agregação de artistas locais.
“O que eu acho legal do Rock in Rio é agregar a galera underground, também do Rio.”
O diálogo entre gerações foi tema recorrente na conversa. Simo apontou que o excesso de estímulos e a velocidade de consumo dificultam a formação de um gosto musical mais aprofundado entre o público jovem, citando plataformas de vídeos curtos como parte desse fenômeno, sem deixar de reconhecer o alcance internacional de artistas brasileiros.
“É muito difícil você chegar e conseguir realmente absorver uma coisa só. Acho extremamente importante desenvolver um gosto a partir de uma coisa só, e depois construir uma narrativa em relação à educação musical mesmo”
“É só ver a quantidade de artistas brasileiros que estão sendo tocados fora do país.”
O conjunto — série documental, repertório e encontro entre veterano e nova geração — coloca a apresentação no New Dance Order como um dos momentos observados na programação do festival.
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