Variações de tensão na rede, quando intensas ou prolongadas, podem danificar placas eletrônicas e outros componentes da geladeira. Segundo Marcelo Campani, da Electrolux, a tecnologia Inverter não aumenta a vulnerabilidade; modelos convencionais também correm risco.
Oscilações e sobretensões na rede elétrica representam os principais riscos para geladeiras modernas; a tecnologia Inverter, por si só, não torna o equipamento mais vulnerável. O problema está, principalmente, na intensidade e na duração das variações de tensão, que podem atingir a placa eletrônica e outros componentes responsáveis pelo controle do aparelho.
Segundo Marcelo Campani, diretor de Engenharia de Produto da Electrolux, não existe relação direta entre a tecnologia Inverter e maior sensibilidade às oscilações de energia. Tanto modelos Inverter quanto convencionais estão sujeitos às condições da rede elétrica. O especialista explica o que ocorre durante interrupções e retornos de fornecimento e quais cuidados os moradores devem ter em casa.
Quando há uma queda de energia, o compressor e os demais componentes elétricos da geladeira deixam de funcionar temporariamente. Quando a energia retorna de maneira estável, o sistema retoma a operação e volta a fazer os ajustes para alcançar a temperatura adequada. O maior risco aparece quando há sobretensões ou oscilações fora dos parâmetros previstos para o equipamento: variações intensas ou recorrentes podem afetar as partes elétricas e eletrônicas, em especial a placa que controla várias funções do refrigerador.
“Oscilações frequentes e significativas podem aumentar o desgaste dos componentes elétricos e eletrônicos do produto ao longo do tempo. No caso das geladeiras Inverter, a placa eletrônica e os componentes responsáveis pelo acionamento e controle do compressor estão entre os elementos que podem ser impactados por variações elétricas fora dos parâmetros especificados”
O dano à placa eletrônica explica por que um problema elétrico pode gerar prejuízo elevado: a substituição desse conjunto costuma ter custo significativo. Para reduzir o risco, a recomendação principal é garantir que a instalação elétrica residencial esteja adequada e dimensionada, e que o aparelho seja ligado em tomada compatível e exclusiva, conforme as orientações do fabricante.
Como proteção adicional contra surtos, é indicado avaliar a instalação de um DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos) ou de protetores de tomada adequados à aplicação. Esses equipamentos são projetados para limitar sobretensões transitórias na instalação elétrica e reduzir a chance de um surto atingir os componentes internos da geladeira com intensidade prejudicial. A adoção desse tipo de proteção é especialmente relevante em regiões sujeitas a quedas e oscilações frequentes de energia.
“Em condições normais, uma instalação elétrica residencial adequada, dimensionada de acordo com as especificações do produto é o principal cuidado. Dessa forma, não é necessário o uso de estabilizadores ou outros dispositivos que não sejam indicados pelo fabricante.”
Campani também ressalta que estabilizadores e nobreaks não devem ser usados automaticamente. Antes de instalar qualquer dispositivo, é importante verificar compatibilidade com o fabricante da geladeira e consultar um profissional qualificado. Sobre a necessidade de aguardar antes de religar o aparelho, não há um período fixo a ser observado: desde que a energia tenha voltado de forma estável, os sistemas eletrônicos são projetados para retomar o funcionamento normalmente.
Em resumo, a ideia de que toda geladeira Inverter “queima fácil” quando falta energia é exagerada. O risco real vem de surtos e oscilações significativas. Manter a instalação elétrica em boas condições e avaliar proteção contra surtos são medidas práticas para evitar danos que podem custar milhares de reais.
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