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Cultura

Exibição de Tarzan transforma menino de 12 anos em maior projecionista de Estância

A sessão do filme “Tarzan, o Filho das Selvas” exibida em 1935 no Cinema São João foi decisiva para a vida de Benjamim de Souza Alves, então com 12 anos. Encantado pelo personagem vivido por Johnny Weissmüller, o garoto iniciou ali uma trajetória que o tornaria o mais reconhecido projecionista da cidade. Da plateia ao […]

19/01/2026 · 13h06
Exibição de Tarzan transforma menino de 12 anos em maior projecionista de Estância

A sessão do filme “Tarzan, o Filho das Selvas” exibida em 1935 no Cinema São João foi decisiva para a vida de Benjamim de Souza Alves, então com 12 anos. Encantado pelo personagem vivido por Johnny Weissmüller, o garoto iniciou ali uma trajetória que o tornaria o mais reconhecido projecionista da cidade.

Da plateia ao emprego no cinema

Na véspera da festa do Bonfim, último sábado de janeiro de 1935, Benjamim deixou a celebração no bairro homônimo e correu até o Cinema São João, na Rua Capitão Salomão. Com 500 réis destinados originalmente à compra de doces, comprou ingresso para sua primeira sessão de cinema.

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O retorno tardio para casa rendeu bronca e castigo da mãe. No dia seguinte, ao buscar o par de tamancos esquecido na sala de exibição, encontrou o funcionário João “Barriga”, que aceitou sua proposta de varrer o salão em troca de entradas gratuitas aos domingos.

Durante essas manhãs de limpeza, o proprietário Diógenes notou a frequência do menino e, após saber que ele trabalhava para um comerciante local, convidou-o para atuar no seu armazém e na bilheteria do cinema. Benjamim passou a vender ingressos à noite e a ajudar no comércio durante o dia.

Fascínio pela cabine de projeção

O interesse pelas máquinas levou o adolescente à cabine, onde aprendeu o ofício com o projecionista João de Deus Pitangueira Vilanova. Ali dominou técnicas de colagem de filmes e operação do equipamento.

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Em 1937, aos 14 anos, a ausência do projecionista oficial numa sessão dominical deixou o cinema lotado à espera. Benjamim se ofereceu para assumir o aparelho e exibiu o filme sem contratempos, recebendo agradecimento público de Diógenes, que prometeu adquirir um segundo projetor.

Oficialização como projecionista

A promessa foi cumprida em 1941. Com a chegada da nova máquina, Benjamim, então com 17 anos, foi efetivado como operador titular, dividindo a cabine com o equipamento recém-comprado, enquanto João de Deus permanecia na antiga.

Ele continuou no Cinema São João até o encerramento das atividades da casa, mesmo após mudanças sucessivas de proprietários, conquistando o reconhecimento como o principal projecionista de Estância.

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Último rolo

Benjamim de Souza Alves morreu em 28 de novembro de 2017, levando consigo lembranças de mais de oito décadas dedicadas à sétima arte – paixão iniciada pela aventura de Tarzan que alterou o curso de sua história.

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A sessão do filme “Tarzan, o Filho das Selvas” exibida em 1935 no Cinema São João foi decisiva para a vida de Benjamim de Souza Alves, então com 12 anos. Encantado pelo personagem vivido por Johnny Weissmüller, o garoto iniciou ali uma trajetória que o tornaria o mais reconhecido projecionista da cidade.

Da plateia ao emprego no cinema

Na véspera da festa do Bonfim, último sábado de janeiro de 1935, Benjamim deixou a celebração no bairro homônimo e correu até o Cinema São João, na Rua Capitão Salomão. Com 500 réis destinados originalmente à compra de doces, comprou ingresso para sua primeira sessão de cinema.

O retorno tardio para casa rendeu bronca e castigo da mãe. No dia seguinte, ao buscar o par de tamancos esquecido na sala de exibição, encontrou o funcionário João “Barriga”, que aceitou sua proposta de varrer o salão em troca de entradas gratuitas aos domingos.

Durante essas manhãs de limpeza, o proprietário Diógenes notou a frequência do menino e, após saber que ele trabalhava para um comerciante local, convidou-o para atuar no seu armazém e na bilheteria do cinema. Benjamim passou a vender ingressos à noite e a ajudar no comércio durante o dia.

Fascínio pela cabine de projeção

O interesse pelas máquinas levou o adolescente à cabine, onde aprendeu o ofício com o projecionista João de Deus Pitangueira Vilanova. Ali dominou técnicas de colagem de filmes e operação do equipamento.

Em 1937, aos 14 anos, a ausência do projecionista oficial numa sessão dominical deixou o cinema lotado à espera. Benjamim se ofereceu para assumir o aparelho e exibiu o filme sem contratempos, recebendo agradecimento público de Diógenes, que prometeu adquirir um segundo projetor.

Oficialização como projecionista

A promessa foi cumprida em 1941. Com a chegada da nova máquina, Benjamim, então com 17 anos, foi efetivado como operador titular, dividindo a cabine com o equipamento recém-comprado, enquanto João de Deus permanecia na antiga.

Ele continuou no Cinema São João até o encerramento das atividades da casa, mesmo após mudanças sucessivas de proprietários, conquistando o reconhecimento como o principal projecionista de Estância.

Último rolo

Benjamim de Souza Alves morreu em 28 de novembro de 2017, levando consigo lembranças de mais de oito décadas dedicadas à sétima arte – paixão iniciada pela aventura de Tarzan que alterou o curso de sua história.

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