Medimos o consumo da mesma TV com watímetro em quatro modos: YouTube e Roku por Wi-Fi, antena e conversor 3.0 via HDMI. Configurações e volume foram mantidos; Wi-Fi mostrou menor consumo.
Quem trocou a TV aberta por serviços de streaming e reprodução por internet pode ter dúvidas sobre o impacto no consumo de energia. Para verificar na prática, fizemos um teste medindo a mesma televisão com um watímetro e comparando quatro formas de assistir: YouTube pelo Wi‑Fi, Roku Channels pelo Wi‑Fi, TV aberta pela antena e um conversor de TV 3.0 conectado por HDMI.
As configurações da TV foram mantidas iguais durante todo o experimento: volume no nível 14 e ajustes de brilho e imagem padronizados. Em cada etapa, deixamos conectada apenas a fonte necessária para aquela reprodução — Wi‑Fi no YouTube e Roku Channels, antena na TV aberta e HDMI no conversor — para isolar o consumo de cada cenário sem alterar as principais configurações do aparelho.
Minha principal suspeita é que parte da diferença esteja mais relacionada ao conteúdo exibido do que ao Wi‑Fi em si.
Os resultados mostraram que, nas condições do teste, os dois cenários que dependiam exclusivamente do Wi‑Fi consumiram menos energia que a recepção via antena. No YouTube, com a TV conectada apenas ao Wi‑Fi e sem antena, o consumo registrado foi de 0,60 kWh em 6 horas. No Roku Channels, também apenas pela internet, o resultado foi 0,63 kWh. Ao usar somente a antena para assistir TV aberta, a medição subiu para 0,69 kWh. Já com Wi‑Fi e antena desligados e um conversor 3.0 no HDMI, o consumo chegou a 0,84 kWh no mesmo período.
Nessas condições, a TV aberta consumiu cerca de 15% a mais que o YouTube e 10% a mais que o Roku Channels. O cenário com conversor ficou aproximadamente 22% acima da TV aberta e 40% acima do YouTube. É importante ressaltar que esses números não permitem isolar exatamente o gasto da placa de rede ou do sintonizador da antena, pois ambos funcionam dentro de um aparelho que já alimenta tela, processador e outros componentes.
O teste indica que o uso contínuo do Wi‑Fi não provocou um aumento perceptível no consumo da televisão. No entanto, isso não significa que streaming sempre economize energia: imagens com brilho diferente, uso de HDR, resolução e processamento de vídeo podem alterar o gasto dependendo da tecnologia do painel e do conteúdo reproduzido.
Formas de assistir
- YouTube pelo Wi‑Fi: consumo em 6 horas 0,60 kWh; consumo em 30 dias 18,0 kWh. Custos mensais estimados: Fortaleza R$ 17,46; São Paulo R$ 17,10; Curitiba R$ 15,30; Manaus R$ 15,12; Brasília R$ 14,94.
- Roku Channels pelo Wi‑Fi: consumo em 6 horas 0,63 kWh; consumo em 30 dias 18,9 kWh. Custos mensais estimados: Fortaleza R$ 18,33; São Paulo R$ 17,95; Curitiba R$ 16,06; Manaus R$ 15,88; Brasília R$ 15,69.
- TV aberta pela antena: consumo em 6 horas 0,69 kWh; consumo em 30 dias 20,7 kWh. Custos mensais estimados: Fortaleza R$ 20,08; São Paulo R$ 19,66; Curitiba R$ 17,59; Manaus R$ 17,39; Brasília R$ 17,18.
- Conversor de TV 3.0 por HDMI: consumo em 6 horas 0,84 kWh; consumo em 30 dias 25,2 kWh. Custos mensais estimados: Fortaleza R$ 24,44; São Paulo R$ 23,94; Curitiba R$ 21,42; Manaus R$ 21,17; Brasília R$ 20,92.
Para o público em Sergipe, a conclusão prática é direta: não faz sentido desligar a conexão da TV ou evitar streaming com a expectativa de reduzir de forma significativa a conta de luz, segundo as medições realizadas neste teste. Pequenas variações dependem do conteúdo e do painel, não apenas do uso do Wi‑Fi ou da antena.
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