Michel Kuka Muladinga ficou famoso por permanecer imóvel durante as partidas, como uma estátua. O ritual é uma homenagem ao líder Patrice Lumumba e voltou a chamar atenção na estreia congolesa no Mundial.
A história de Michel Kuka Muladinga, torcedor da República Democrática do Congo, voltou a ganhar destaque com a estreia do país na Copa do Mundo de 2026. A seleção congolense enfrentou Portugal nesta quarta-feira (17/6), mas Muladinga não pôde testemunhar esse momento histórico.
Conhecido por sua pose imóvel durante as partidas, que remete a uma estátua, Muladinga utiliza essa forma de homenagem ao herói nacional Patrice Lumumba. O congolês de 49 anos, que ficou famoso na última Copa Africana das Nações (CAN) realizada no Marrocos, se apresenta de terno, em pé, com o braço direito erguido. Essa postura simbólica é um tributo ao líder da independência do Congo, morto há mais de 60 anos.
Patrice Lumumba foi um importante símbolo da luta anticolonial na África, tendo se tornado o primeiro-ministro do país em 1960, após a independência do domínio belga. No entanto, seu governo durou apenas alguns meses, sendo deposto por Joseph Mobutu, que instaurou uma ditadura que perdurou por mais de três décadas. Lumumba foi preso, torturado e assassinado em 17 de janeiro de 1961, com seu corpo sendo dissolvido em ácido para evitar que se tornasse um local de peregrinação política. Esse crime contou com a participação de autoridades belgas e da CIA, em um contexto de tensões da Guerra Fria.
A postura de Muladinga é inspirada pela estátua de Lumumba, erguida em Kinshasa, a capital congolense. Sua homenagem se tornou tão reconhecida que a federação de futebol do país o convidou para fazer parte da delegação na Copa do Mundo. Contudo, devido à epidemia de ebola que assola o país, ele não conseguiu viajar para os Estados Unidos e, portanto, não esteve presente na estreia da seleção congolense.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a República Democrática do Congo registrou mais de 800 casos e 192 mortes pela doença, o que resultou em restrições para os torcedores. Enquanto a delegação cumpriu 21 dias de medidas sanitárias, Muladinga não conseguiu se juntar ao grupo a tempo. Há esperança, no entanto, de que ele possa assistir aos próximos jogos da seleção nas arquibancadas.



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