Quem nunca ouviu que usar o celular enquanto ele está carregando pode prejudicar a bateria ou até causar explosões? Essa preocupação persiste entre os usuários há décadas, mas sua origem está relacionada a tecnologias que praticamente desapareceram do mercado.
As antigas baterias de Níquel-Cádmio eram suscetíveis ao chamado efeito memória. Isso significava que, se o usuário recarregasse o aparelho antes de a carga acabar completamente, a bateria poderia perder parte de sua capacidade ao longo do tempo. No entanto, os smartphones modernos utilizam baterias de Íon de Lítio, que não apresentam esse problema.
Na prática, isso indica que o risco de “viciar” a bateria não existe mais como ocorria anteriormente. Contudo, isso não significa que o hábito de usar o celular durante o carregamento seja totalmente inofensivo. O verdadeiro vilão para os dispositivos atuais é o calor.
Durante o carregamento, a bateria gera calor devido à conversão de energia elétrica em energia química, um fenômeno conhecido como Efeito Joule. Além disso, atividades que exigem mais do processador, como jogos ou reprodução de vídeos em alta definição, aumentam ainda mais a temperatura do aparelho. Quando essas duas situações ocorrem simultaneamente, o celular pode acumular calor em diversos componentes, com temperaturas que podem ultrapassar os 40°C.
Esse aumento térmico acelera reações químicas que degradam gradualmente os eletrodos da bateria, resultando em uma diminuição mais rápida da capacidade de armazenamento ao longo dos anos.
Para compreender melhor o comportamento térmico dos celulares, foram realizados testes com câmeras térmicas. Em um dos experimentos, um smartphone analisado registrou temperaturas entre 25,5°C e 26,7°C em repouso, um cenário considerado ideal. No entanto, ao iniciar uma partida ranqueada em um jogo online, a temperatura nas bordas do dispositivo subiu para 43,1°C, e na região do chipset, chegou a 46,1°C.
Para evitar danos, os smartphones modernos contam com mecanismos de proteção, como o thermal throttling, que reduz automaticamente o desempenho do processador quando os limites térmicos são alcançados. Isso pode explicar por que alguns aparelhos apresentam quedas na taxa de quadros ou pequenos travamentos durante longas sessões de jogos.
Além disso, o circuito responsável pelo gerenciamento de energia monitora constantemente a temperatura do sistema. Caso detecte um superaquecimento, ele reduz a potência da recarga ou interrompe temporariamente o fornecimento de energia, fazendo com que o celular demore mais para atingir 100% de carga em situações de uso intenso.
Os testes revelaram que um smartphone pode atingir temperaturas superiores a 43°C ou até 46,1°C na região do processador. Assim, a ideia de que usar o celular enquanto carrega “vicia” a bateria é um mito herdado das antigas baterias de Níquel-Cádmio. O que realmente ocorre é um desgaste mais rápido da bateria quando ela permanece exposta a temperaturas elevadas com frequência.
Portanto, a recomendação continua sendo a mesma: evitar o uso do smartphone durante o carregamento sempre que possível. Além disso, o uso de carregadores rápidos também pode impactar na vida útil da bateria, e especialistas estão atentos a essas condições.


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