Um registro de 18 segundos filmado por Mohammed Almuntasir em Al-Hamada Al-Hamra mostrou o felino escondido sob um arbusto. Especialistas, como Firas Hayder, se surpreenderam com a confirmação quase uma década depois.
Um vídeo de 18 segundos, publicado em 2017 pelo fotógrafo Mohammed Almuntasir, trouxe à luz a primeira evidência documentada da presença do gato-da-areia na Líbia. O felino, que se escondeu sob a sombra de um arbusto no deserto líbio, foi filmado em uma região conhecida como Al-Hamada Al-Hamra, próxima à fronteira com a Tunísia.
Quase dez anos depois, a confirmação do avistamento do gato-da-areia (Felis margarita) foi recebida com surpresa, principalmente pelo especialista em pequenos carnívoros Firas Hayder, que havia trabalhado na pesquisa sobre a espécie no Norte da África. Almuntasir, um fotógrafo de campo experiente, não havia percebido a importância do que estava capturando em vídeo, já que seus hábitos noturnos dificultaram avistamentos anteriores.
“Assim que vi o animal, soube que era um gato-da-areia, pois já tinha visto essa espécie à noite antes”, afirmou Almuntasir.
O gato-da-areia é um felino pequeno, que cresce até 57 centímetros e pesa cerca de 3,5 quilos. Antes da filmagem de Almuntasir, a espécie era associada principalmente a regiões do Saara em outros países, como Marrocos, e nunca havia sido oficialmente registrada na Líbia. Hayder expressou sua alegria e surpresa ao receber a confirmação do avistamento, que se tornou um marco na pesquisa sobre a fauna do país.
A partir desse encontro, Almuntasir e Hayder se uniram em um esforço de oito anos para documentar avistamentos de gatos-da-areia na Líbia, resultando no artigo de pesquisa intitulado “Redescobrindo fantasmas do deserto”, publicado no Journal of Arid Environments. O estudo envolveu sete pesquisadores e destacou a necessidade de registrar coordenadas GPS dos locais onde os avistamentos ocorreram.
Entretanto, a pesquisa não foi simples. Os gatos-da-areia são conhecidos por seus hábitos noturnos, escavando tocas e enterrando restos de presas. Com a água escassa no deserto, a espécie sobrevive com a umidade do sangue de suas presas. A dificuldade em rastrear esses animais contribui para a falta de informações sobre eles, tornando-os pouco estudados.
Embora a espécie esteja classificada como de “menor preocupação” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), já existem preocupações sobre sua conservação, especialmente com relação à captura ilegal para o comércio de animais de estimação. Hayder e outros pesquisadores ressaltam que é necessário ampliar o conhecimento sobre o gato-da-areia para garantir que não se tornem verdadeiros fantasmas no deserto da Líbia.
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