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Educação

Mulher trans é aprovada na UFRRJ 25 anos após abandonar a escola

Sabriiny Fogaça Lopes, 41 anos, uma mulher trans, conseguiu vaga na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos após ser obrigada a...

22/03/2026 · 13h17
Mulher trans é aprovada na UFRRJ 25 anos após abandonar a escola

Sabriiny Fogaça Lopes, 41 anos, uma mulher trans, conseguiu vaga na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos após ser obrigada a deixar a escola. Ela havia abandonado os estudos aos 15 anos em razão de discriminação e episódios de violência praticados por colegas.

Retorno aos estudos

Ao longo do período fora da escola, Sabriiny enfrentou dificuldades para se inserir no mercado de trabalho. Trabalhou, entre outras ocupações, como cabeleireira, mas sentia que faltava algo em sua trajetória profissional. Estimulada por amigos e pelo desejo de reescrever sua história, ela retomou os estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

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No Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, na região metropolitana do Rio de Janeiro, Sabriiny encontrou um ambiente com estudantes de idades e trajetórias diversas e vivenciou acolhimento diferente do que recebeu na juventude. Participou de atividades escolares e integrou projetos, entre eles o Alunos Autores, realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ), que resultou na publicação de uma coletânea de contos.

Ela prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em duas ocasiões e foi aprovada em ambas: inicialmente para Licenciatura em Educação do Campo e, em 2026, para Licenciatura em Educação Especial, curso que escolheu cursar na UFRRJ. Sabriiny foi eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial e planeja, no futuro, retornar à universidade para cursar Serviço Social e construir carreira na educação especial.

Sabriiny afirma que pretende mostrar que não há idade limite para recomeçar e reconhece os obstáculos que possivelmente enfrentará: a inserção de uma mulher trans em espaços escolares pode encontrar preconceito e barreiras para contratação e exercício da docência, segundo ela. Ainda assim, manteve a determinação de prosseguir com a formação.

Números da EJA e do ensino superior

Dados do Censo Escolar 2024 apontam que cerca de 2,4 milhões de estudantes estão matriculados na EJA, sendo 2,2 milhões na rede pública. No conjunto da educação básica — da educação infantil ao ensino médio — existem aproximadamente 47 milhões de estudantes no país.

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Segundo o Censo da Educação Superior 2023, a proporção de concluintes que ingressa no ensino superior no ano seguinte é maior na modalidade regular (30%) do que entre estudantes da EJA (9%).

whatsapp image 2026 03 18 at 18.51.20 1

Contexto para travestis e pessoas trans

Relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) de 2024 indica que apenas 0,3% da população trans e travesti chega ao ensino superior, e que mais de 70% não concluíram o ensino médio. A entidade atribui a exclusão à transfobia institucional e social, que produz baixos índices de escolarização e formação profissional.

Atualmente, 38 universidades públicas — estaduais e federais — adotam cotas para pessoas trans. A distribuição regional dessas instituições inclui 13 no Sudeste, quatro no Sul, 13 no Nordeste, três no Centro-Oeste e cinco no Norte. A Antra ressalta a necessidade de políticas de permanência, como comissões de acompanhamento, assistência específica e espaços de acolhimento, para garantir que estudantes trans consigam concluir a formação superior.

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Sabriiny é um exemplo de retorno à educação formal após longa interrupção e inicia agora a graduação em Educação Especial, com expectativa de contribuir para o acesso e a inclusão na educação.

 

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Sabriiny Fogaça Lopes, 41 anos, uma mulher trans, conseguiu vaga na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 25 anos após ser obrigada a deixar a escola. Ela havia abandonado os estudos aos 15 anos em razão de discriminação e episódios de violência praticados por colegas.

Retorno aos estudos

Ao longo do período fora da escola, Sabriiny enfrentou dificuldades para se inserir no mercado de trabalho. Trabalhou, entre outras ocupações, como cabeleireira, mas sentia que faltava algo em sua trajetória profissional. Estimulada por amigos e pelo desejo de reescrever sua história, ela retomou os estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

No Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica, na região metropolitana do Rio de Janeiro, Sabriiny encontrou um ambiente com estudantes de idades e trajetórias diversas e vivenciou acolhimento diferente do que recebeu na juventude. Participou de atividades escolares e integrou projetos, entre eles o Alunos Autores, realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ), que resultou na publicação de uma coletânea de contos.

Ela prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em duas ocasiões e foi aprovada em ambas: inicialmente para Licenciatura em Educação do Campo e, em 2026, para Licenciatura em Educação Especial, curso que escolheu cursar na UFRRJ. Sabriiny foi eleita Diretora de Diversidade do Diretório Acadêmico do curso de Educação Especial e planeja, no futuro, retornar à universidade para cursar Serviço Social e construir carreira na educação especial.

Sabriiny afirma que pretende mostrar que não há idade limite para recomeçar e reconhece os obstáculos que possivelmente enfrentará: a inserção de uma mulher trans em espaços escolares pode encontrar preconceito e barreiras para contratação e exercício da docência, segundo ela. Ainda assim, manteve a determinação de prosseguir com a formação.

Números da EJA e do ensino superior

Dados do Censo Escolar 2024 apontam que cerca de 2,4 milhões de estudantes estão matriculados na EJA, sendo 2,2 milhões na rede pública. No conjunto da educação básica — da educação infantil ao ensino médio — existem aproximadamente 47 milhões de estudantes no país.

Segundo o Censo da Educação Superior 2023, a proporção de concluintes que ingressa no ensino superior no ano seguinte é maior na modalidade regular (30%) do que entre estudantes da EJA (9%).

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Contexto para travestis e pessoas trans

Relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) de 2024 indica que apenas 0,3% da população trans e travesti chega ao ensino superior, e que mais de 70% não concluíram o ensino médio. A entidade atribui a exclusão à transfobia institucional e social, que produz baixos índices de escolarização e formação profissional.

Atualmente, 38 universidades públicas — estaduais e federais — adotam cotas para pessoas trans. A distribuição regional dessas instituições inclui 13 no Sudeste, quatro no Sul, 13 no Nordeste, três no Centro-Oeste e cinco no Norte. A Antra ressalta a necessidade de políticas de permanência, como comissões de acompanhamento, assistência específica e espaços de acolhimento, para garantir que estudantes trans consigam concluir a formação superior.

Sabriiny é um exemplo de retorno à educação formal após longa interrupção e inicia agora a graduação em Educação Especial, com expectativa de contribuir para o acesso e a inclusão na educação.

 

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