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Saúde

Profissionais de saúde superam obstáculos logísticos e culturais para vacinar comunidades indígenas no Alto Rio Purus

TRANSMISSÃO: Record Equipes de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus enfrentam barreiras geográficas e culturais para...

25/05/2026 · 13h24
Profissionais de saúde superam obstáculos logísticos e culturais para vacinar comunidades indígenas no Alto Rio Purus

TRANSMISSÃO: Record

Equipes de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus enfrentam barreiras geográficas e culturais para levar vacinação a 11 mil habitantes de 155 aldeias pertencentes às etnias Apurinã, Jamamadi, Jaminawa, Kaxarari, Kaxinawá/Huni Kuin, Madiha/Kulina e Manchineri.

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O território atendido pelo DSEI abrange áreas do Acre, Amazonas e Rondônia, com aldeias que variam de 30 a 300 moradores. A comunicação nas comunidades ocorre em português e em línguas de três troncos linguísticos distintos, o que exige adaptação das equipes. Os deslocamentos dependem do clima: quando as condições permitem, o acesso é por caminhonete ou barco; em situações adversas, é preciso recorrer a quadriciclos, botes ou helicópteros.

Segundo o coordenador do DSEI, Evangelista Apurinã, as práticas culturais influenciam o ritmo do atendimento. Ele ressalta a necessidade de negociar com grupos como os Madijá e Kulina, que não permanecem longos períodos em um mesmo local, e chama atenção para a organização política dos Jamamadi, que se estruturam em 11 clãs, sendo um predominante — acordos feitos com caciques de clãs menores podem não valer para toda a comunidade.

Por causa da dispersão das aldeias, o sistema de atendimento é descentralizado: existem polos-base de onde equipes saem para trabalho itinerante, permanecendo até 40 dias em campo. A manutenção da cadeia de frio é outro desafio: frascos de vacina precisam ficar entre 2°C e 8°C. Freezers instalados em barcos, caixas térmicas e bobinas de gelo são usados para garantir a temperatura adequada.

A enfermeira Kislane de Araújo Dias, responsável técnica pela área de Imunizações e Doenças Imunopreveníveis do DSEI, explica que as ações são planejadas a partir do censo vacinal, uma planilha com os dados de todas as famílias que orienta a quantidade de doses a ser levada para cada aldeia. As equipes costumam montar um ponto central de atendimento, mas também realizam busca ativa e visitas domiciliares quando necessário.

A enfermeira Evelin Plácido, que ministra capacitações por meio da CapacitaImune, afirma que, ao contrário do meio urbano, nas áreas indígenas a vacina precisa ir até as pessoas, o que exige definição prévia de rotas e cálculo do tempo de percurso para não expor os imunobiológicos a temperaturas inadequadas. No início de maio, ela ministrou um curso em Rio Branco voltado a profissionais que atuam em populações indígenas e outros grupos de difícil acesso.

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O treinamento — oferecido pela farmacêutica MSD, fornecedora de quatro vacinas ao Programa Nacional de Imunizações (HPV, Hepatite A, Varicela e Pneumo-23) — incluiu atualização sobre normas técnicas, armazenamento, aplicação e descarte, além de conteúdos sobre bases imunológicas e efeitos adversos, para facilitar a comunicação com as comunidades.

whatsapp_image_2026-05-20_at_20.20.44

A gerente-médica de vacinas da MSD, Aline Okuma, informou que esta é a quarta capacitação destinada a profissionais que trabalham na saúde indígena e em áreas remotas, e que a iniciativa busca harmonizar práticas levando em conta o cenário local. Entre as particularidades do calendário vacinal nacional, há mais de 20 imunizantes e incorporações recentes, como as vacinas contra dengue e vírus sincicial respiratório.

Grupos vulneráveis, incluindo as populações indígenas, devem receber anualmente vacinas contra influenza e covid-19, independentemente da idade. Em 2024, uma seca severa que impediu navegação contribuiu para um surto de influenza em uma aldeia da região, com duas crianças mortas; na ocasião, ações emergenciais anteciparam a campanha e empregaram transporte aéreo e apoios locais para levar as doses.

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Além disso, povos em áreas de difícil acesso, ribeirinhos, quilombolas e rurais já vêm sendo vacinados contra a raiva devido ao maior risco após mordidas de animais silvestres. Profissionais que atuam nesses territórios relatam que o trabalho exige respeito às rotinas e costumes locais; para a enfermeira Natália Diniz, do polo de Boca do Acre (AM), vacinar nessas comunidades significa oferecer chance de um futuro mais saudável às pessoas atendidas.

Equipes seguem procedimentos logísticos e comunicacionais adaptados às realidades culturais e geográficas do Alto Rio Purus, com planejamento detalhado para preservar a integridade das vacinas e garantir a adesão das populações atendidas. * Equipe viajou a convite da empresa MSD.

 

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TRANSMISSÃO: Record

Equipes de saúde do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus enfrentam barreiras geográficas e culturais para levar vacinação a 11 mil habitantes de 155 aldeias pertencentes às etnias Apurinã, Jamamadi, Jaminawa, Kaxarari, Kaxinawá/Huni Kuin, Madiha/Kulina e Manchineri.

O território atendido pelo DSEI abrange áreas do Acre, Amazonas e Rondônia, com aldeias que variam de 30 a 300 moradores. A comunicação nas comunidades ocorre em português e em línguas de três troncos linguísticos distintos, o que exige adaptação das equipes. Os deslocamentos dependem do clima: quando as condições permitem, o acesso é por caminhonete ou barco; em situações adversas, é preciso recorrer a quadriciclos, botes ou helicópteros.

Segundo o coordenador do DSEI, Evangelista Apurinã, as práticas culturais influenciam o ritmo do atendimento. Ele ressalta a necessidade de negociar com grupos como os Madijá e Kulina, que não permanecem longos períodos em um mesmo local, e chama atenção para a organização política dos Jamamadi, que se estruturam em 11 clãs, sendo um predominante — acordos feitos com caciques de clãs menores podem não valer para toda a comunidade.

Por causa da dispersão das aldeias, o sistema de atendimento é descentralizado: existem polos-base de onde equipes saem para trabalho itinerante, permanecendo até 40 dias em campo. A manutenção da cadeia de frio é outro desafio: frascos de vacina precisam ficar entre 2°C e 8°C. Freezers instalados em barcos, caixas térmicas e bobinas de gelo são usados para garantir a temperatura adequada.

A enfermeira Kislane de Araújo Dias, responsável técnica pela área de Imunizações e Doenças Imunopreveníveis do DSEI, explica que as ações são planejadas a partir do censo vacinal, uma planilha com os dados de todas as famílias que orienta a quantidade de doses a ser levada para cada aldeia. As equipes costumam montar um ponto central de atendimento, mas também realizam busca ativa e visitas domiciliares quando necessário.

A enfermeira Evelin Plácido, que ministra capacitações por meio da CapacitaImune, afirma que, ao contrário do meio urbano, nas áreas indígenas a vacina precisa ir até as pessoas, o que exige definição prévia de rotas e cálculo do tempo de percurso para não expor os imunobiológicos a temperaturas inadequadas. No início de maio, ela ministrou um curso em Rio Branco voltado a profissionais que atuam em populações indígenas e outros grupos de difícil acesso.

O treinamento — oferecido pela farmacêutica MSD, fornecedora de quatro vacinas ao Programa Nacional de Imunizações (HPV, Hepatite A, Varicela e Pneumo-23) — incluiu atualização sobre normas técnicas, armazenamento, aplicação e descarte, além de conteúdos sobre bases imunológicas e efeitos adversos, para facilitar a comunicação com as comunidades.

whatsapp_image_2026-05-20_at_20.20.44

A gerente-médica de vacinas da MSD, Aline Okuma, informou que esta é a quarta capacitação destinada a profissionais que trabalham na saúde indígena e em áreas remotas, e que a iniciativa busca harmonizar práticas levando em conta o cenário local. Entre as particularidades do calendário vacinal nacional, há mais de 20 imunizantes e incorporações recentes, como as vacinas contra dengue e vírus sincicial respiratório.

Grupos vulneráveis, incluindo as populações indígenas, devem receber anualmente vacinas contra influenza e covid-19, independentemente da idade. Em 2024, uma seca severa que impediu navegação contribuiu para um surto de influenza em uma aldeia da região, com duas crianças mortas; na ocasião, ações emergenciais anteciparam a campanha e empregaram transporte aéreo e apoios locais para levar as doses.

Além disso, povos em áreas de difícil acesso, ribeirinhos, quilombolas e rurais já vêm sendo vacinados contra a raiva devido ao maior risco após mordidas de animais silvestres. Profissionais que atuam nesses territórios relatam que o trabalho exige respeito às rotinas e costumes locais; para a enfermeira Natália Diniz, do polo de Boca do Acre (AM), vacinar nessas comunidades significa oferecer chance de um futuro mais saudável às pessoas atendidas.

Equipes seguem procedimentos logísticos e comunicacionais adaptados às realidades culturais e geográficas do Alto Rio Purus, com planejamento detalhado para preservar a integridade das vacinas e garantir a adesão das populações atendidas. * Equipe viajou a convite da empresa MSD.

 

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