Levantamento brasileiro registra redução de quase 50% na presença dos principais tipos do vírus entre pessoas de 16 a 25 anos
O papilomavírus humano (HPV) é uma das infecções sexualmente transmissíveis de maior ocorrência no mundo. A transmissão acontece principalmente por meio do contato sexual, e o vírus pode atingir pele e mucosas sem necessariamente causar sintomas. Em parte dos casos, a infecção é eliminada naturalmente pelo organismo, mas alguns tipos de HPV conseguem permanecer no corpo e provocar alterações que, com o passar do tempo, podem evoluir para câncer. Uma das estratégias mais importantes para prevenir a infecção pelos tipos relacionados a essas doenças, entretanto, é a vacinação.
Realizado pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde, o estudo POP-Brasil analisou e comparou informações obtidas em diferentes momentos. Na primeira fase, entre 2016 e 2017, 14,98% dos participantes tinham infecção prévia por pelo menos um dos quatro tipos de HPV incluídos na vacina. Já no período entre 2020 e 2023, esse índice passou para 7,95%, representando uma redução de quase 50%. O levantamento foi feito com jovens de 16 a 25 anos e está entre as maiores pesquisas da América Latina voltadas à avaliação da efetividade da vacinação contra o HPV.
Proteção pela vacina
A possibilidade de o HPV contribuir para o surgimento de câncer está relacionada principalmente a determinados tipos do vírus, classificados como de alto risco. Segundo o infectologista e professor da Universidade Tiradentes (Unit), Matheus Todt, os tipos 16 e 18 estão entre os que mais contribuem para os casos de câncer do colo do útero. “Além do câncer do colo uterino, a infecção persistente pelo vírus também pode estar relacionada a outros tumores. O mais associado ao vírus é o câncer de colo uterino”, afirma.
A orientação para que crianças e adolescentes sejam vacinados antes do início da vida sexual tem uma razão específica. Como o contato sexual é a principal via de transmissão do HPV, receber a vacina previamente possibilita que o sistema imunológico esteja preparado antes de uma eventual exposição ao vírus. “No Brasil, o Calendário Nacional de Vacinação recomenda uma dose da vacina contra o HPV para meninas e meninos de 9 a 14 anos. A estratégia busca garantir a proteção ainda nessa fase da vida, quando a resposta imunológica tende a ser mais eficaz e, geralmente, antes do contato com o vírus”, elenca Todt.
Mesmo para quem já iniciou a vida sexual ou teve contato anterior com o HPV, a imunização continua sendo relevante, explica Todt. “A vacinação de pessoas já infectadas também reduz o risco do desenvolvimento de câncer”, ressalta.
Vacinação ampliada
A estratégia de imunização ganhou uma nova possibilidade em 2026, quando o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a vacinação para adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não foram imunizados na idade indicada ou que não apresentam registro de vacinação. Esse grupo pode receber a dose nas unidades do SUS até 31 de dezembro.
A prevenção do HPV por meio da vacina também envolve os homens. Apesar de o câncer do colo do útero estar entre as consequências mais conhecidas da infecção, o vírus também pode provocar doenças na população masculina. “O HPV também está associado a cânceres que acometem a população masculina, como o câncer de pênis, de ânus e de garganta”, explica Todt.
Vacinar meninos e meninas ainda ajuda a diminuir a circulação do HPV entre a população, fazendo com que a estratégia tenha impacto coletivo, além da proteção de cada indivíduo. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é atingir 90% de cobertura vacinal entre o público-alvo. Em 2025, foram alcançados índices de 86,22% entre meninas de 9 a 14 anos e de 74,55% entre os meninos da mesma idade.
“Ainda que a vacina seja fundamental, ela não substitui outras medidas de prevenção. O uso de preservativos internos ou externos nas relações sexuais diminui as chances de transmissão do HPV, mas não impede totalmente o contágio, porque o vírus também pode estar em regiões da pele que ficam descobertas”, orienta o infectologista.
Prevenção contínua
A vacinação contra o HPV apresenta um bom perfil de segurança, e as reações mais frequentes costumam ser leves e passageiras. Dor no local da aplicação, febre baixa e cansaço ou sensação de indisposição estão entre os efeitos esperados. Todt aponta ainda a desinformação como um dos fatores que continuam dificultando o avanço da cobertura vacinal.
“A vacina contra o HPV é uma vacina de vírus inativado e que protege principalmente contra os subtipos 6, 11, 16 e 18. É uma vacina segura e com pouquíssimos efeitos colaterais. Infelizmente temos observado uma resistência de parte da população a aderir à imunização, tanto à vacina contra o HPV como a outras vacinas, devido à desinformação e ideologias equivocadas”, afirma.
Na avaliação do especialista, vacinar crianças e adolescentes é uma decisão que contribui para preservar a saúde ao longo dos próximos anos. “Pais que realmente querem proteger seus filhos e filhas devem vaciná-los contra o HPV. Não há nenhum motivo razoável para não vacinar seus filhos”, defende.
Por: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit
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