A detecção antecipada da esclerose múltipla pode conter a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, segundo especialistas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 2,8 milhões de pessoas vivem com a condição no planeta; no Brasil, cerca de 40 mil pessoas são afetadas. Avanços recentes em fármacos e terapias têm reduzido a atividade inflamatória associada à doença.
Neste sábado (30) é celebrado o Dia Mundial da Esclerose Múltipla. Dados da Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) apontam que, a cada cinco minutos, uma pessoa recebe o diagnóstico da enfermidade no mundo, com predomínio entre mulheres.
O que é a esclerose múltipla?
Considerada uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, a esclerose múltipla acomete cérebro e medula espinhal, podendo comprometer funções motoras, cognitivas, visuais e sensoriais. A enfermidade atinge principalmente adultos jovens, sobretudo entre 20 e 50 anos, com pico aos 30 anos. A ocorrência é, em média, duas vezes maior em mulheres e apresenta menor incidência entre pessoas afrodescendentes, orientais e indígenas.
O neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema e integrante da Federação Mundial de Neurorradiologia, explica que a doença decorre de uma reação do sistema imunológico contra estruturas do próprio organismo, em especial a mielina — substância que protege e facilita a condução dos impulsos nervosos no cérebro e na medula espinhal.
Diagnóstico
Os sintomas variam entre os pacientes e costumam aparecer de modo intermitente, o que pode atrasar a busca por avaliação especializada. Entre os sinais mais frequentes estão fadiga intensa, alterações visuais, formigamento, fraqueza muscular, desequilíbrio, dificuldades motoras e alterações urinárias.
Especialistas alertam que manifestações neurológicas persistentes ou fora do padrão merecem investigação imediata, pois a demora no diagnóstico é comum — muitos convivem durante meses ou anos com sintomas tratados como passageiros. Identificar os sinais precocemente é condição importante para preservar a qualidade de vida e orientar o tratamento.
Acesso ao tratamento e custo
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde assegura o diagnóstico e o fornecimento gratuito de medicamentos para pacientes com esclerose múltipla no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Para receber os remédios pelo SUS, o paciente deve passar por avaliação médica, preferencialmente por um neurologista do sistema público, que preencherá o Laudo de Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos (LME).
O LME, acompanhado de exames como a ressonância magnética e documentos pessoais, deve ser apresentado na Farmácia de Alto Custo mais próxima para que o usuário tenha acesso às medicações previstas pelo PCDT.
O reconhecimento precoce dos sintomas e a continuidade do tratamento são apontados como medidas fundamentais para controlar a evolução da esclerose múltipla e reduzir seus impactos funcionais.
Com informações de Agência Brasil
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