O avanço das tecnologias financeiras transformou a forma como as sociedades lidam com transações monetárias cotidianas, tendo o Pix, no Brasil, e o Zelle, nos Estados Unidos, como os principais protagonistas dessa revolução em seus respectivos países. Embora ambos os sistemas tenham o objetivo de realizar transferências instantâneas e gratuitas entre contas bancárias, as plataformas operam sob lógicas estruturais bem diferentes. Enquanto o Pix é uma ferramenta universal desenvolvida e centralizada pelo Banco Central do Brasil, o Zelle é uma rede privada criada por um consórcio dos maiores bancos norte-americanos, o que impacta diretamente a sua abrangência e as regras de integração com as instituições financeiras.
A principal disparidade entre os dois modelos reside na universalidade e nas funcionalidades oferecidas aos usuários. O Pix está disponível para qualquer pessoa que possua uma conta bancária, carteira digital ou conta de pagamento no Brasil, operando de forma ininterrupta, 24 horas por dia, e expandindo suas ferramentas para modalidades como o Pix Saque, Pix Troco e o agendamento de cobranças. Por sua vez, o Zelle exige que o usuário possua conta em um banco associado à sua rede privada para garantir a instantaneidade, apresentando limites diários de envio mais rígidos e restrições operacionais que dificultam o seu uso por microempreendedores ou para pagamentos comerciais de grande porte.
Outro fator crucial de diferenciação envolve a segurança e os mecanismos de proteção ao consumidor contra fraudes e golpes virtuais. O Banco Central brasileiro implementou ferramentas integradas de segurança no Pix, como o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que facilita o bloqueio e a recuperação de valores em casos de fraudes confirmadas ou engenharia social. Nos Estados Unidos, o Zelle enfrenta debates jurídicos e críticas de órgãos de defesa do consumidor, uma vez que, por ser uma plataforma de transferência direta entre pessoas (peer-to-peer), as políticas de reembolso para transações autorizadas sob engano pelo próprio correntista são muito mais restritas, transferindo maior responsabilidade pelo prejuízo ao usuário final.
Por: GloboNews
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