O embaixador de Cuba no Brasil, Víctor Cairo, afirmou que a taxa de mortalidade infantil na ilha dobrou desde o início do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, que interrompeu o abastecimento de petróleo em janeiro deste ano. Com as sanções adicionais, o índice saltou de 4% para 8%.
“Há pessoas aguardando cirurgias que não podem ser realizadas porque não há energia elétrica ou porque o fornecimento é insuficiente nos hospitais. Há médicos em Cuba que têm 2 pacientes e precisam escolher qual deles receberá determinado medicamento, porque não há remédios suficientes para tratar ambos”, afirmou Cairo em entrevista.
O embaixador destacou que a situação é ainda mais alarmante para crianças com câncer, cuja taxa de cura caiu de 85% para cerca de 65% em curto prazo. Sem petróleo para a geração de energia elétrica, Cuba enfrenta frequentes apagões e atualmente opera com apenas 35% da capacidade de combustível necessária.
Cairo explicou que a ilha recebe petróleo somente da Rússia, tendo recebido esse suprimento apenas uma vez nos últimos cinco meses, o que tem gerado enormes dificuldades para a população. Ele ressaltou que Cuba produz petróleo, mas sua produção não atende à demanda interna.
“Cuba necessita desse combustível para operar e gerar eletricidade, principalmente porque nossas usinas termelétricas utilizam esse tipo de petróleo”, disse.
Além da crise de energia, o embaixador afirmou que os Estados Unidos estão atuando para dificultar a chegada de doações de alimentos a Cuba. A falta de eletricidade tem comprometido a produção e o transporte de alimentos no país.
“Na sede do Programa Mundial de Alimentos, em Roma, foi discutido um programa de apoio a Cuba. O governo dos Estados Unidos pressionou e chantageou diversos países e diplomatas para que não aprovassem esse programa de apoio”, revelou Cairo.
A crise energética em Cuba se intensificou após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelo governo dos Estados Unidos em janeiro. Desde então, o presidente norte-americano cortou as remessas de petróleo venezuelano e ameaçou tarifas a qualquer país que vendesse petróleo para a ilha.
Cairo informou que, apesar do movimento de aproximação entre os EUA e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a relação entre Cuba e a Venezuela permanece de cooperação. O embaixador também confirmou que há tentativas de diálogos diplomáticos com Washington, mas sem resultados positivos até o momento.
“Temos pouca esperança porque, sempre que dialogamos, as conversas acabam sendo seguidas por novas sanções. Sanções injustas e sem fundamento”, concluiu.
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