A Volkswagen registrou uma queda de 8,6% nas entregas globais de veículos no 2º trimestre de 2026, marcando o recuo mais acentuado em quatro anos. A montadora atribuiu essa diminuição ao desempenho insatisfatório no mercado chinês, que é o maior para a empresa.
No total, foram entregues 2,077 milhões de veículos durante o período. Esse resultado representa a maior retração desde a queda de 22,4% ocorrida no 2º trimestre de 2022. A China, que concentra a maior parte das vendas da Volkswagen, foi responsável pelo desempenho mais negativo, com uma redução de 36,6% nas entregas, o que fez com que este fosse o recuo trimestral mais expressivo desde o final de 2021.
“As entregas na China são decepcionantes, pois a VW tem desempenho inferior a um mercado já fraco”, avaliou Daniel Schwarz, analista da Metzler.
Enquanto isso, as vendas nas Américas mostraram um desempenho positivo, com um crescimento de 7,7% nas entregas na América do Norte. Na Europa Ocidental, houve um aumento de 1,8%, e na Europa Central e Oriental, as entregas cresceram 6,7%, conforme informações divulgadas pela montadora.
Marco Schubert, membro do comitê executivo da Volkswagen voltado para vendas, reconheceu as dificuldades enfrentadas no mercado chinês. “A situação na China continua desafiadora, onde não conseguimos escapar de uma queda significativa no mercado total de cerca de 20%”, destacou em uma nota.
Para reverter essa situação, a Volkswagen aposta na eletrificação de sua frota na China ainda em 2026. A montadora planeja lançar mais de 20 modelos de veículos de nova energia no país, parte de sua estratégia chamada “In China, for China”, que visa o desenvolvimento local de produtos.
No entanto, a concorrência com fabricantes chineses continua intensa. Rico Luman, economista sênior do ING Research, observou que a posição da Volkswagen no mercado de veículos elétricos é frágil. “A VW ainda depende fortemente das vendas de motores de combustão interna na China e enfrenta queda de vendas há vários anos, mas competir no mercado de veículos elétricos, que agora representa a maior fatia das vendas, é muito difícil”, afirmou.
A Volkswagen não está sozinha nas dificuldades, pois outras montadoras alemãs, como Mercedes-Benz, BMW e Porsche, também relataram queda nas entregas na China no mesmo período. Diante do cenário desafiador, um porta-voz da Volkswagen reafirmou o foco da empresa em fortalecer sua competitividade: “O objetivo é tornar o Grupo Volkswagen — incluindo todas as suas marcas e subsidiárias — mais rápido, mais resiliente e mais competitivo”.
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