Duas empresas brasileiras estão se preparando para explorar novas oportunidades no setor de petróleo da Venezuela. A Alvorada Heavy Industries já atua no país e negocia a ampliação de suas operações, enquanto a J&F, através da petroleira Fluxus, ainda está em fase de monitoramento, sem anunciar aquisições de campos ou contratos na região.
Ambas as empresas estão em estágios diferentes de avaliação, buscando se posicionar na reestruturação da indústria petrolífera venezuelana, que se intensificou após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro de 2026.
A Alvorada iniciou suas atividades na Venezuela em 2024 e começou a produção efetiva em 2025. Atualmente, a companhia opera três blocos na borda nordeste da Faixa Petrolífera do Orinoco, com uma produção aproximada de 4.000 barris por dia. O objetivo é aumentar essa produção para 20.000 barris diários nos próximos dois anos, além de expandir suas operações para serviços, logística e processamento. Um projeto adicional está sendo avaliado, o que poderia elevar a produção total da empresa para 30.000 barris por dia.
Para garantir a continuidade e a expansão de seus negócios, a Alvorada busca uma licença específica da Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), que proporcionaria segurança jurídica sob o regime de sanções dos Estados Unidos. A empresa também considera a possibilidade de transferir parte de sua estrutura corporativa para o Texas, mantendo, no entanto, seus planos de crescimento na Venezuela.
A J&F, por sua vez, se encontra em uma etapa anterior. A holding não possui ativos na Venezuela e afirma que está apenas monitorando oportunidades na região. Qualquer eventual entrada no mercado seria feita pela Fluxus, que já possui ativos na Argentina e na Bolívia. Joesley Batista, um dos controladores da J&F, se reuniu em janeiro com Delcy Rodríguez e autoridades norte-americanas para discutir a abertura do setor venezuelano.
A situação da J&F é considerada mais delicada devido à sua exposição ao mercado de capitais dos Estados Unidos. A JBS, uma das empresas do grupo, tem ações negociadas na Nyse (Bolsa de Valores de Nova York), enquanto o PicPay abriu capital na Nasdaq em janeiro de 2026. Embora a listagem não transforme automaticamente todas as empresas da holding em companhias norte-americanas, aumenta a vigilância de investidores e reguladores dos EUA sobre possíveis negócios na Venezuela.
As sanções dos Estados Unidos historicamente limitaram as transações com a PDVSA e o setor de petróleo e gás da Venezuela, considerado estratégico para o financiamento do governo local. Essas sanções impedem pessoas e empresas sob jurisdição dos EUA de realizar operações sem autorização, enquanto companhias estrangeiras enfrentam riscos financeiros e restrições de acesso ao sistema norte-americano.
Após a captura de Maduro, o governo de Donald Trump começou a desenvolver um arcabouço jurídico para facilitar novos investimentos, mantendo o controle sobre as condições de acesso ao mercado. Em 10 de junho de 2026, a Ofac atualizou licenças para permitir o comércio de petróleo venezuelano e a operação de determinados projetos.
A Licença Geral 49A, por exemplo, autoriza a negociação e a assinatura de contratos condicionais para novos investimentos, enquanto a Licença Geral 50B cobre apenas as operações das empresas listadas em seu anexo, que não inclui a Alvorada e a Fluxus.
A Venezuela nacionalizou sua indústria petrolífera em 1976 e, após um período de abertura nos anos 1990, voltou a aumentar o controle estatal sob o governo de Hugo Chávez. Em 2007, o governo obrigou projetos privados a migrar para empresas mistas controladas pela PDVSA, um modelo que levou à saída de grandes companhias, enquanto algumas, como a Chevron, optaram por permanecer sob as novas condições.
A abertura a operadores privados começou antes da captura de Maduro, com a Lei Antibloqueio, aprovada em 2020, permitindo negociações de Contratos de Participação Produtiva (CPPs), nos quais uma empresa assume a gestão integral de um projeto por seu próprio custo e risco.
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