No verão passado, Sandra, uma advogada de mídia de 43 anos residente em Los Angeles, se deparou com uma nova opção de contorno corporal. Desde os 20 anos, ela considerava aumentar os seios, mas sempre desistiu devido à dor e ao longo período de recuperação. Com a introdução do produto injetável chamado alloClae, que utiliza gordura coletada de corpos doados, Sandra ficou intrigada. O procedimento, que não requer anestesia geral e pode ser realizado em menos de uma hora, foi apelidado de “implante de silicone da hora do almoço”.
“Chega, vou fazer algo por mim mesma”, disse Sandra, que preferiu manter sua identidade em sigilo. Para ela, o uso de gordura de cadáveres não foi um problema. “Para mim, estava tudo bem”, afirmou.
A Tiger Aesthetics, fabricante do alloClae, revelou que mais de 2.000 pacientes já receberam injeções do produto desde maio de 2025. Esse aumento de interesse reflete uma mudança na percepção da modificação corporal, que, em 2026, é vista como manutenção física. Procedimentos como remodelação de costelas, blefaroplastia e lifting facial estão se tornando comuns à medida que a técnica cirúrgica avança.
Apesar de ser apresentado como um avanço, o alloClae também enfrenta críticas. Manchetes o rotulam de “preenchimento zumbi” ou “injeções em cadáveres”, levantando questões sobre os limites da busca pela aparência ideal. O que significa a aceitação social do uso de gordura cadavérica em nome da beleza? A popularidade do produto levanta questionamentos sobre sua normalização, similar ao que ocorreu com o Botox.
O Dr. Luis Macias, cirurgião plástico em Los Angeles, observou a crescente demanda pelo produto, que foi lançado inicialmente para cirurgiões plásticos certificados e, a partir de janeiro, começou a ser disponibilizado a um leque mais amplo de profissionais de saúde. “Estou constantemente em contato com o representante, é como conversar com a concessionária da minha Porsche”, comentou o médico, referindo-se à necessidade de adquirir o produto em grandes quantidades.
O preço de uma seringa de 12,5 cc do alloClae pode chegar a aproximadamente US$ 2.250. A comercialização do produto como gordura “pronta para uso” se apresenta como uma alternativa ao enxerto de gordura autólogo. O Renuva, um injetável semelhante que foi lançado há cerca de uma década, é limitado em volume, enquanto o alloClae oferece uma capacidade maior, de até 22 cc.
No contexto atual, em que cerca de 11% dos americanos usam medicamentos para perda de peso, a gordura de cadáveres está preenchendo uma lacuna do mercado. Muitos pacientes que utilizam esses medicamentos estão interessados em recuperar o volume corporal, buscando realçar áreas como seios, glúteos e rosto.
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