O Irã e seus aliados estão avaliando a possibilidade de ativar novas frentes de pressão geopolítica, incluindo o estreito de Bab al-Mandab, no Mar Vermelho. Essa movimentação ocorre em resposta aos recentes ataques de Israel ao Líbano. Uma das opções em análise é o uso dos Houthis, um grupo armado que atua no Iêmen com apoio iraniano, para bloquear essa importante rota estratégica para o comércio marítimo internacional.
O analista de internacional Lourival Sant’Anna destacou a relevância do estreito de Bab al-Mandab, que conecta o Oceano Índico à Europa através do Canal de Suez, servindo como uma das principais artérias marítimas do mundo. Ele afirmou: “Essa é uma das principais artérias marítimas do mundo, o que leva todos os manufaturados da China para a Europa, pelo mar Mediterrâneo”.
Recentemente, um avião iraniano foi ao Iêmen buscar comandantes dos Houthis que participaram de funerais no Irã. Durante o retorno, as forças armadas do Iêmen, apoiadas pela Arábia Saudita, dispararam contra a aeronave, que precisou desviar para o porto de Hodeida, controlado pelos Houthis. Em retaliação, o grupo lançou ataques contra um aeroporto no sul da Arábia Saudita.
As tensões aumentaram ainda mais com os Estados Unidos intensificando os bombardeios contra o Irã, enquanto tanto o governo iraniano quanto os Houthis sinalizaram a possibilidade de retomada de ataques a navios no Mar Vermelho. Essa situação gera preocupações sobre o impacto no comércio global.
Lourival Sant’Anna observou que, após os ataques do Hamas em outubro de 2023 e a subsequente campanha de Israel contra a Faixa de Gaza, os Houthis começaram a atacar navios no Mar Vermelho, inicialmente embarcações israelenses, depois navios ligados aos Estados Unidos e, por fim, qualquer navio. “Ali passa de 20% a 30% dos navios de containers do mundo todo”, enfatizou o analista.
O bloqueio forçado pelos ataques levou as principais transportadoras marítimas a optar por rotas mais longas, como o Cabo da Boa Esperança, no sul da África, aumentando a distância de 20 mil para 26 mil quilômetros. Isso acrescentou entre 10 e 15 dias ao tempo de transporte, encarecendo os fretes e reduzindo a disponibilidade de cargueiros e contêineres no mercado global.
Sant’Anna ressaltou que o Irã tem sido cauteloso em usar essa estratégia de pressão, temendo mobilizar a comunidade internacional contra si. “O Irã até agora não usou essa carta porque tem receio de estressar demais essa carta e mobilizar o mundo todo contra”, explicou.
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