Vinte e seis ex-funcionários da Meta entraram com uma ação judicial contra a empresa, alegando que ela usou sistemas de inteligência artificial para selecionar trabalhadores com problemas de saúde durante uma onda de demissões ocorrida em maio. O processo foi protocolado em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, e afirma que a Meta usou notas de produtividade e dados de uso de ferramentas de IA para compor a lista de desligamentos.
Segundo a ação, esses critérios afetaram de forma desproporcional funcionários que haviam tirado licença médica por problemas de saúde, deficiência ou gestação. Em maio, a Meta demitiu cerca de 8 mil trabalhadores — 10% de sua força de trabalho global — como parte de uma reestruturação voltada à inteligência artificial.
O documento, que tem 71 páginas, argumenta que a empresa não montou a lista de demissões com base em avaliações diretas de gestores que conheciam o desempenho dos funcionários. Em vez disso, um conjunto de sistemas internos de IA teria ranqueado e selecionado os empregados a serem desligados.
De acordo com a ação, os sistemas automatizados coletam dados de desempenho, produtividade e outras métricas que ficam indisponíveis quando o funcionário está afastado por licença médica ou familiar — o que tende a gerar pontuações mais baixas para pessoas com deficiência. Os advogados dos autores argumentam que o resultado penalizou trabalhadores por exercerem um direito legal, e afirmam que a Meta violou leis federais e estaduais contra discriminação e retaliação, além de legislações recentes na Califórnia e em Nova York que exigem testes de viés em sistemas automatizados de decisão.
Entre as ferramentas citadas no processo está o “Metamate”, assistente de linguagem interno da empresa, além de um sistema chamado “segundo cérebro”, treinado com comunicações e documentos dos próprios funcionários. Segundo a ação, a pontuação de produtividade era calculada com base em teclas digitadas, conteúdo de tela, e-mails e histórico de navegação — dados que alimentavam um programa de monitoramento lançado no início do ano, capaz de capturar atividade do mouse, mensagens e localização em dispositivos corporativos.
O documento cita casos específicos, como o de uma cientista em licença-maternidade notificada da demissão dois dias antes de dar à luz, um engenheiro que teve a avaliação rebaixada após um afastamento por lesão, e um gerente desligado 16 dias depois de iniciar a licença médica.
Um porta-voz da Meta classificou as acusações como infundadas, afirmando que as decisões sobre gestão de funcionários são tomadas por pessoas, e não por inteligência artificial. O programa de monitoramento gerou protestos internos, com mais de 1,6 mil funcionários assinando uma petição contra a violação de privacidade — o que levou a empresa a anunciar a suspensão da iniciativa em junho.
Os autores da ação seguem como funcionários da Meta até 22 de julho, data prevista para o início dos desligamentos. Os advogados pediram ao tribunal uma decisão liminar para suspender as demissões enquanto o caso avança em arbitragem privada, além de uma auditoria independente sobre os sistemas de IA usados na seleção. A Meta já havia informado que cerca de 7 mil funcionários seriam realocados para áreas ligadas à inteligência artificial antes dos cortes, com investimentos previstos entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026, incluindo um contrato de pelo menos US$ 60 bilhões com a fabricante de chips AMD.
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