A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2% para o ano de 2026. O Informe Conjuntural do 2º trimestre, divulgado na quarta-feira, dia 22 de julho de 2026, aponta que a economia seguirá sendo sustentada, principalmente, pela indústria extrativa, pela agropecuária e pela resiliência do setor de serviços.
A entidade também revisou suas expectativas para a inflação, passando a avaliar que o Banco Central realizará apenas mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa Selic neste ano. A CNI ressaltou que os juros elevados, as condições financeiras restritivas, os custos elevados para as empresas e o aumento das importações continuarão a limitar uma recuperação mais robusta da atividade econômica.
O crescimento do PIB dependerá, em grande parte, de segmentos menos sensíveis ao custo do crédito, como a produção de commodities. A projeção para a indústria foi ajustada de 1,6% para 2,1%, impulsionada, em especial, pela indústria extrativa, cuja expectativa passou de 7,8% para 9,1%, refletindo o aumento na produção de petróleo.
A indústria de transformação também apresentou uma leve melhora, passando de 0,3% para 0,6%, com destaque para os setores de derivados de petróleo, produtos farmoquímicos, farmacêuticos e automóveis. Contudo, a CNI alerta que apenas 7 dos 24 segmentos da transformação deverão apresentar crescimento.
A construção civil teve uma revisão positiva, com a expectativa subindo de 1,3% para 1,5%, sustentada por iniciativas como as mudanças no crédito imobiliário, o programa Reforma Casa Brasil e investimentos em infraestrutura. No agronegócio, a expectativa cresceu de 1,1% para 1,8%, apoiada pela perspectiva de uma nova safra recorde de soja e pelo avanço da produção animal.
Por outro lado, o setor de serviços foi o único grande segmento com revisão para baixo, de 2,1% para 1,9%. A CNI aponta que o endividamento das famílias, a inadimplência e os juros elevados devem limitar o consumo, mesmo diante do bom desempenho do mercado de trabalho, do varejo e das atividades de informação e comunicação.
A entidade também revisou a estimativa para a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), elevando de 4,4% para 5%. Essa revisão considera a alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis, além da persistência da inflação nos serviços.
Segundo o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, esse cenário reduz o espaço para cortes mais intensos na taxa Selic. A projeção atual é que os juros cheguem a 13,75% ao final de 2026, ante 12,75% que eram estimados anteriormente.
No campo fiscal, a CNI prevê um crescimento real de 5,8% na receita líquida federal e um aumento de 4,5% nas despesas acima da inflação, resultando em um déficit projetado de R$ 55,3 bilhões, próximo ao registrado em 2025. A dívida bruta deve alcançar 82% do PIB.
Em relação ao cenário internacional, a CNI destaca a guerra no Oriente Médio como um dos principais riscos para a economia, devido aos impactos sobre combustíveis, energia e fertilizantes. A entidade também observa um aumento de 16% nas importações de bens de consumo no primeiro semestre, o que pressiona a indústria nacional. Para o comércio exterior, a CNI estima exportações de US$ 383,9 bilhões, importações de US$ 306 bilhões e um superávit comercial de US$ 77,9 bilhões, que poderá ser afetado pela ampliação das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
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