Empresários de setores impactados pelo novo aumento de tarifas dos Estados Unidos informaram ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que se oporão à retaliação, caso o Brasil decida invocar a Lei de Reciprocidade.
A Lei de Reciprocidade estabelece um rito que inclui a realização de uma consulta pública de 30 dias, destinada às partes interessadas, antes de qualquer ação de retaliação. Neste momento, as empresas afetadas manifestaram a intenção de se posicionar contra tais medidas.
O setor produtivo busca convencer o governo a não acionar a reciprocidade, destacando o potencial impacto negativo na reputação que críticas de empresas afetadas poderiam trazer ao processo.
Os executivos argumentaram que a reciprocidade poderia resultar em uma escalada de tensões com os Estados Unidos, possivelmente levando a mais sanções sobre a economia brasileira.
Na última terça-feira (21), representantes do setor se reuniram com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Durante o encontro, o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, expressou que acredita que “a reciprocidade não vai ter resultado prático. Se tudo isso começou por uma questão política, não é acirrando a política que resolveremos o problema. Não é com a retaliação que encontraremos uma saída”.
“Coloquei meu ponto: Negociar, negociar, negociar. E não disparar reciprocidade”, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast.
Após as reuniões, Alckmin comentou sobre os pedidos dos setores e afirmou que “a ideia do governo não é a retaliação”. O vice-presidente afirmou que o processo visa mostrar à contraparte que o Brasil possui instrumentos de resposta.
A reciprocidade é: ‘olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. Temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno e da forma adequada’”, declarou Alckmin.
Durante as reuniões, o governo ouviu recomendações do setor produtivo enquanto elabora um novo pacote de ajuda às empresas, denominado “Plano Brasil Soberano 3.0”. As demandas incluem a disponibilização de crédito para capital de giro e investimentos, além da possibilidade de adiar e parcelar impostos. Também foi mencionada a necessidade de manter o Reintegra, mecanismo que visa ressarcir empresas exportadoras por tributos residuais em suas cadeias produtivas.
Márcio Elias Rosa, após os encontros, mencionou que o governo está em negociação com os EUA, mas que trabalha em medidas para mitigar os impactos, como a abertura de novos mercados para os produtos afetados. “Continuar negociando, essa é a orientação. E, mais do que isso, continuar dialogando internamente com o setor produtivo, de modo a assimilar essa decisão do governo norte-americano, que não deixa de ser injusta, indevida, descabida”, concluiu.
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