As redes sociais viraram palco político e candidatos tentam converter audiência em votos. Mas seguidores não garantem eleitores: é preciso checar alcance real, transparência nas parcerias e cumprir a lei.
As redes sociais se tornaram o grande palco da atualidade, onde pessoas comuns se transformam em celebridades e opiniões cruzam fronteiras em segundos. Neste contexto, a visibilidade digital chamou a atenção de empresas, marcas e, mais recentemente, da política. Candidatos em campanhas eleitorais passaram a acreditar que uma grande audiência nas redes poderia ser convertida em votos. Inspirados pelo mito grego da sereia, muitos se deixaram seduzir pela ideia de que milhares de seguidores equivalem, automaticamente, a milhares de eleitores.
Antes de aceitar essa ideia como verdade, é importante refletir sobre o que realmente significa influenciar alguém. Historicamente, a influência sempre esteve presente em nossas vidas, por meio de pais, avós, professores e amigos. Essas figuras moldaram nossas opiniões sem precisar de curtidas ou compartilhamentos. A influência verdadeira se baseia na confiança e na coerência entre palavras e ações, além do respeito construído ao longo do tempo.
No cenário atual, o influenciador digital surgiu como um novo protagonista. Com um celular, qualquer pessoa pode criar conteúdo e alcançar uma grande audiência. A internet democratizou a comunicação, permitindo que novas vozes emergissem e que muitos construíssem carreiras relevantes. Embora alguns influenciadores realizem um trabalho sério, informando e educando, outros se destacam pelo entretenimento e pela polêmica. O problema surge quando audiência é confundida com autoridade.
Ter milhões de seguidores garante alcance, mas não necessariamente credibilidade ou capacidade de influenciar decisões políticas. Mesmo assim, muitos candidatos se deixam seduzir por essa premissa. A cada eleição, cresce a busca por influenciadores digitais, que parecem representar um atalho para as urnas. No entanto, a audiência por si só não é um indicativo de influência real. Uma pessoa pode ter um grande número de seguidores, mas isso não garante que eles confiem nela a ponto de mudar seu voto.
Além disso, a composição do público de um influenciador é diversa. Há seguidores interessados em vários temas ou que acompanham apenas por curiosidade. Essa diversidade torna a transformação de audiência em votos uma tarefa complexa. Embora alguns influenciadores consigam mobilizar parte de seu público para determinadas candidaturas, é um erro pensar que isso é uma regra ou que números altos podem decidir uma eleição. Mesmo líderes políticos de longa data enfrentam dificuldades para transferir seus votos.
O encantamento pelos números continua a influenciar candidatos, que veem curtidas e compartilhamentos como indicadores de força eleitoral. Em algumas campanhas, a busca por alcance nas redes pode ofuscar o debate sobre propostas e a capacidade de governar. Isso gera um risco para a política, que pode acabar trocando o diálogo pela performance e o debate de ideias pela busca de engajamento.
Apesar disso, os influenciadores digitais têm um papel importante na política. As redes sociais podem aproximar cidadãos da informação e estimular debates. No entanto, quando a política se torna uma disputa de imagens e números de seguidores são mais valorizados do que compromisso e preparo, a democracia perde qualidade. O eleitor, por sua vez, vive realidades diferentes, e muitos analisam propostas antes de decidir seu voto, enquanto outros podem ser influenciados pela popularidade.
Assim, é preciso lembrar que a democracia é feita por pessoas com histórias e valores próprios. As redes sociais continuarão sendo um grande palco, onde a popularidade é medida por métricas digitais, mas a essência da democracia reside em escolhas informadas e comprometidas.
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