Os preços do petróleo subiram pelo quinto dia seguido, mantendo-se perto de US$100. Especialistas apontam que as ofensivas entre EUA e Irã elevam o risco de rupturas nas cadeias de abastecimento e de aceleração da inflação.
Os preços do petróleo registraram mais um dia de alta nesta quinta-feira (23), permanecendo próximos do patamar de US$ 100 pela quinta vez consecutiva. Essa escalada nos valores não apenas indica que os conflitos no Oriente Médio estão longe de uma resolução, como também levanta preocupações sobre possíveis interrupções nas cadeias de abastecimento global e um avanço da inflação nos próximos meses.
André Braz, economista do FGV/Ibre, destacou que essa nova alta no preço do petróleo é impulsionada principalmente pelas recentes ofensivas entre os Estados Unidos e o Irã. Ele afirmou que “os ataques a navios no Mar Vermelho e os riscos à circulação pelo Estreito de Ormuz e pelo estreito de Bab el-Mandeb aumentaram o temor de interrupções no abastecimento”.
Essas rotas são consideradas estratégicas para o comércio mundial de petróleo, e os acontecimentos ao redor dos estreitos rapidamente influenciam o mercado e as cotações. Com o aumento dos preços do petróleo, novas preocupações relacionadas à inflação emergem. Segundo Braz, se essa tendência se mostrar persistente, a inflação pode piorar.
Ele também observou que, caso o petróleo permaneça em níveis elevados por várias semanas, o mercado pode rever para cima suas projeções de inflação e reduzir as possibilidades de cortes de juros. André Matos, CEO da MA7 Capital, acrescentou que um choque de petróleo mais duradouro tende a impactar os preços dos combustíveis, fretes e câmbio, que são canais que podem afetar a inflação no futuro. Matos ressaltou que o aumento nos preços chega a 35% apenas neste mês.
No entanto, ele acredita que, por ora, o repasse dos preços aos consumidores, como na gasolina, não deve ocorrer de imediato. “O reflexo tende a vir, mas com alguma defasagem, porque a Petrobras não repassa a variação diária e costuma esperar para ver se a alta é consistente antes de alterar os preços na refinaria. Se o barril se firmar nesse patamar, a probabilidade de reajuste na gasolina e no diesel nas próximas semanas aumenta consideravelmente”, afirmou.
Braz também mencionou que, no Brasil, ainda é cedo para afirmar quando ou em que magnitude os reajustes chegarão aos postos, mas que “se o petróleo permanecer próximo de US$ 100 e o dólar também avançar, a pressão por aumentos nos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha crescerá”.
Por outro lado, na mesma noite, os houthis, alinhados ao Irã, afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas como parte de um bloqueio naval à Arábia Saudita, o que poderia criar um novo ponto de estrangulamento no fornecimento global de petróleo, além do quase fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. Enquanto isso, as forças armadas dos EUA realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, sob ordens do presidente Donald Trump, marcando a 12ª noite consecutiva de ataques americanos e provocando novas retaliações iranianas.
A situação permanece tensa, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi questionado sobre as recentes ameaças do presidente Donald Trump de “bombardear e destruir” uma ponte ou usina de energia sempre que o Irã atacar um navio no Estreito de Ormuz. Em resposta, Rubio afirmou: “O Irã está nos implorando, direta e indiretamente: ‘Vamos fazer um acordo. Vamos conversar'”.
Às 10h (de Brasília), o petróleo Brent apresentava alta de 6,07%, sendo cotado a US$ 99,75 o barril, enquanto o WTI subia 4,91%, a US$ 91,08.
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