Pesquisa aponta que quase 90% das mulheres sentem desejo, mas só um terço atinge sempre o orgasmo. Tratamentos fisioterapêuticos do assoalho pélvico ajudam a reduzir dores, melhorar relaxamento e aumentar o prazer.
O prazer feminino ainda é cercado por tabus, e muitas mulheres enfrentam dificuldades durante a relação sexual, como dores, dificuldade para relaxar ou até mesmo a ausência de orgasmo. Embora quase 90% das mulheres relatem sentir desejo sexual, apenas um terço consegue atingir sempre o orgasmo, conforme pesquisa nacional encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Além disso, o levantamento revelou que metade das entrevistadas já fingiu orgasmo, refletindo um cenário preocupante.
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) corroborou esses dados, identificando que 42,1% das participantes apresentavam dificuldades em alcançar o orgasmo. Especialistas ressaltam que, além dos fatores emocionais, a saúde do assoalho pélvico desempenha um papel crucial na resposta sexual feminina.
“Muita coisa pode interferir no orgasmo. A pressa é a primeira. A resposta sexual feminina precisa de tempo: tempo para a circulação aumentar durante a excitação, para o clitóris se encher e para a lubrificação natural acontecer”, explica a fisioterapeuta pélvica Berenice Shakti.
Segundo Berenice, o desconhecimento do próprio corpo é outro aspecto que contribui para as dificuldades. Muitas mulheres cresceram acreditando que o orgasmo ocorre apenas com a penetração, quando, na realidade, o clitóris é fundamental para a maioria delas. “Existe um roteiro sexual baseado na pornografia e centrado na penetração. Mas, para a maioria das mulheres, o orgasmo está muito mais relacionado ao complexo clitoriano”, afirma.
A fisioterapia pélvica é uma abordagem indicada para tratar alterações na musculatura do assoalho pélvico, que sustenta órgãos como bexiga, útero e intestino. Essa musculatura também é essencial na resposta sexual. Músculos enfraquecidos podem diminuir a intensidade das sensações, enquanto músculos excessivamente contraídos podem causar dor e dificultar a relação sexual.
“Mais força não significa mais prazer. O que importa é a funcionalidade. Um músculo que contrai bem, mas não relaxa, gera dor e dificulta a penetração”, esclarece a especialista.
A fisioterapia pélvica não apenas trata disfunções, mas também ajuda a desenvolver consciência corporal e autoconhecimento, fatores que contribuem para uma vida sexual mais satisfatória. Apesar da popularização de exercícios nas redes sociais, Berenice alerta que nem todas as mulheres devem realizar fortalecimento do assoalho pélvico sem orientação. A avaliação individual é fundamental, pois, em alguns casos, o tratamento pode começar pelo relaxamento muscular.
“Perceber onde está a pelve, como ela se movimenta, como essa musculatura responde aos comandos do cérebro. Sem percepção não existe controle”, conclui Berenice.
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