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Aracaju, Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Economia

Pesquisa prevê queda contínua do preço do leite no 2º semestre de 2026

Expectativa de queda nos preços do leite no segundo semestre de 2026 devido a fatores econômicos.

31/07/2026 · 00h00 · Atualizado às 09h00
Pesquisa prevê queda contínua do preço do leite no 2º semestre de 2026

Pesquisador da Embrapa diz que, após alta em junho e julho, o preço do leite ao produtor tende a recuar. Fatores: maior produção, menor poder de compra, endividamento e clima instável.

Após um período de recuperação nas cotações em junho e julho, o mercado de leite deverá apresentar uma trajetória de desaceleração no segundo semestre de 2026. A avaliação é de um pesquisador da Embrapa Gado de Leite, que aponta uma série de fatores que devem pressionar os preços pagos ao produtor.

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Dentre os fatores citados, destacam-se o avanço da produção, o menor poder de compra das famílias, o aumento do endividamento dos consumidores e as incertezas climáticas. Segundo o pesquisador, a valorização observada no início do segundo semestre já era esperada devido ao comportamento sazonal da atividade, uma vez que durante a entressafra a oferta de leite tende a diminuir e os preços normalmente reagem a essa dinâmica.

“O comportamento de junho e julho era esperado. Agora, a tendência é de queda. A questão é saber em que velocidade isso vai acontecer”, afirma o pesquisador.

A intensidade da redução nos preços, no entanto, deverá depender principalmente da capacidade de consumo das famílias brasileiras. O cenário econômico atual, marcado por um elevado endividamento e sinais de enfraquecimento da renda, deve limitar a demanda por produtos lácteos nos próximos meses. O pesquisador explica que, quando o orçamento das famílias aperta, os consumidores tendem a fazer escolhas mais restritas no supermercado.

“O endividamento das famílias continua elevado e a renda começa a mostrar sinais de enfraquecimento. Quando o orçamento aperta, o consumidor passa a fazer escolhas dentro do supermercado”, diz o pesquisador.

Os produtos lácteos de maior valor agregado, como queijos especiais e iogurtes, deverão sentir primeiro o impacto da perda de renda. Já o leite UHT, considerado um item básico da cesta de compras, deve sofrer menos. O setor de lácteos é sensível à renda, e a redução no consumo de produtos mais caros pode afetar toda a cadeia produtiva, reduzindo a capacidade da indústria de pagar mais pelo leite aos produtores.

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Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o comportamento dos derivados lácteos foi diferente no atacado paulista em junho. Enquanto a muçarela e o leite em pó apresentaram variações mínimas, o leite UHT registrou uma queda significativa de 3,07%. Na primeira quinzena de julho, no entanto, os preços reagiram, com a muçarela subindo 0,41% e o leite UHT avançando 5,81%. Apesar disso, o mercado continuou desaquecido, com a saída de produtos diminuindo devido ao período de férias escolares.

O setor leiteiro também enfrenta uma transformação estrutural. Produtores menores estão saindo da atividade devido à elevação dos custos e à necessidade de investimentos em tecnologia, enquanto propriedades mais tecnificadas estão ampliando sua produtividade. Essa mudança tem alterado o perfil da produção no Brasil, concentrando-se em sistemas mais eficientes e profissionalizados.

Além disso, o clima continua a ser uma variável importante para o mercado de leite. A possível influência do fenômeno El Niño pode resultar em um excesso de chuvas na Região Sul, que é o principal polo produtor do país. Caso ocorram precipitações intensas, a produção pode ser afetada, limitando a queda dos preços.

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“O impacto vai depender da intensidade das chuvas. Se houver excesso de precipitação no Sul, isso pode reduzir a produção de leite e limitar a queda dos preços”, avalia o pesquisador.

Portanto, para o segundo semestre de 2026, o cenário projetado combina maior disponibilidade de leite, uma demanda interna mais fraca e incertezas climáticas, indicando um mercado mais pressionado para produtores e indústrias.

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Pesquisador da Embrapa diz que, após alta em junho e julho, o preço do leite ao produtor tende a recuar. Fatores: maior produção, menor poder de compra, endividamento e clima instável.

Após um período de recuperação nas cotações em junho e julho, o mercado de leite deverá apresentar uma trajetória de desaceleração no segundo semestre de 2026. A avaliação é de um pesquisador da Embrapa Gado de Leite, que aponta uma série de fatores que devem pressionar os preços pagos ao produtor.

Dentre os fatores citados, destacam-se o avanço da produção, o menor poder de compra das famílias, o aumento do endividamento dos consumidores e as incertezas climáticas. Segundo o pesquisador, a valorização observada no início do segundo semestre já era esperada devido ao comportamento sazonal da atividade, uma vez que durante a entressafra a oferta de leite tende a diminuir e os preços normalmente reagem a essa dinâmica.

“O comportamento de junho e julho era esperado. Agora, a tendência é de queda. A questão é saber em que velocidade isso vai acontecer”, afirma o pesquisador.

A intensidade da redução nos preços, no entanto, deverá depender principalmente da capacidade de consumo das famílias brasileiras. O cenário econômico atual, marcado por um elevado endividamento e sinais de enfraquecimento da renda, deve limitar a demanda por produtos lácteos nos próximos meses. O pesquisador explica que, quando o orçamento das famílias aperta, os consumidores tendem a fazer escolhas mais restritas no supermercado.

“O endividamento das famílias continua elevado e a renda começa a mostrar sinais de enfraquecimento. Quando o orçamento aperta, o consumidor passa a fazer escolhas dentro do supermercado”, diz o pesquisador.

Os produtos lácteos de maior valor agregado, como queijos especiais e iogurtes, deverão sentir primeiro o impacto da perda de renda. Já o leite UHT, considerado um item básico da cesta de compras, deve sofrer menos. O setor de lácteos é sensível à renda, e a redução no consumo de produtos mais caros pode afetar toda a cadeia produtiva, reduzindo a capacidade da indústria de pagar mais pelo leite aos produtores.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o comportamento dos derivados lácteos foi diferente no atacado paulista em junho. Enquanto a muçarela e o leite em pó apresentaram variações mínimas, o leite UHT registrou uma queda significativa de 3,07%. Na primeira quinzena de julho, no entanto, os preços reagiram, com a muçarela subindo 0,41% e o leite UHT avançando 5,81%. Apesar disso, o mercado continuou desaquecido, com a saída de produtos diminuindo devido ao período de férias escolares.

O setor leiteiro também enfrenta uma transformação estrutural. Produtores menores estão saindo da atividade devido à elevação dos custos e à necessidade de investimentos em tecnologia, enquanto propriedades mais tecnificadas estão ampliando sua produtividade. Essa mudança tem alterado o perfil da produção no Brasil, concentrando-se em sistemas mais eficientes e profissionalizados.

Além disso, o clima continua a ser uma variável importante para o mercado de leite. A possível influência do fenômeno El Niño pode resultar em um excesso de chuvas na Região Sul, que é o principal polo produtor do país. Caso ocorram precipitações intensas, a produção pode ser afetada, limitando a queda dos preços.

“O impacto vai depender da intensidade das chuvas. Se houver excesso de precipitação no Sul, isso pode reduzir a produção de leite e limitar a queda dos preços”, avalia o pesquisador.

Portanto, para o segundo semestre de 2026, o cenário projetado combina maior disponibilidade de leite, uma demanda interna mais fraca e incertezas climáticas, indicando um mercado mais pressionado para produtores e indústrias.

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