Vídeos ucranianos mostram um drone perseguindo um vendedor de 52 anos em Kherson que explodiu perto dele. O chanceler acusa a Rússia de crime de guerra enquanto a vítima relata ter tentado se esconder atrás de uma van.
Autoridades da Ucrânia divulgaram imagens impactantes de um drone perseguindo um homem antes de explodir próximo a ele. O incidente ocorreu na cidade de Kherson, no sul do país, levando o chanceler ucraniano a acusar a Rússia de crime de guerra, alegando que um civil foi o alvo do ataque.
A vítima, um vendedor de verduras de 52 anos, relatou sua experiência angustiante enquanto tentava se esconder atrás de uma van. À medida que o drone se aproximava, ele ouviu um zumbido crescente e, em um momento de desespero, tentou sinalizar ao drone, pensando que poderia ser um erro. Contudo, o drone continuou em sua direção.
“Eu vi aquilo correndo. Começou a circular sobre o carro. Eu fiz um gesto para ele, como quem diz: olha, são verduras. Mas ele começou a vir para cima de mim”, contou o homem.
Depois de correr ao redor do veículo, o drone o atingiu, causando ferimentos severos. O vendedor descreveu a cena: “Então comecei a correr ao redor do carro. Depois ficamos lado a lado. Ele me atingiu e eu simplesmente caí. Minhas costas ficaram completamente rasgadas”.
O Ministério da Defesa da Rússia foi contatado para comentar o incidente, mas Moscou frequentemente nega que tenha civis como alvos em seus ataques.
Kherson, que foi libertada da ocupação russa há três anos e meio, enfrenta um aumento de violência na rotina dos seus habitantes. Em julho, 32 civis foram mortos na cidade, sendo 29 deles vítimas de ataques com drones, segundo informações das autoridades locais. A presença de redes anti-drones nas ruas se tornou parte da nova realidade dos moradores.
Os chamados “safaris humanos” são uma tática em que drones russos parecem caçar civis em áreas abertas. Essa prática, que começou a ser utilizada em larga escala em meados de 2024, se tornou comum em Kherson, de acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
O analista de Internacional Lourival Sant’Anna comentou sobre a comparação do ataque com um videogame, enfatizando a perspectiva dos recrutas russos que operam os drones remotamente. Segundo ele, uma nova unidade do exército russo foi formada por jovens que foram recrutados com uma propaganda que sugere que operar os drones é como jogar um jogo.
“Era como se fosse um videogame”, afirmou Sant’Anna.
Os operadores, usando óculos de realidade virtual, controlam os drones de maneira similar a um jogo, desconsiderando a vida real das vítimas. Entre os drones utilizados estão modelos conhecidos como FPV (visão em primeira pessoa) e outros como o “bumerangue”, um tipo de quadricóptero kamikaze. Sant’Anna ressaltou que a nomenclatura desses drones sugere uma trivialização do que realmente acontece no campo de batalha, onde civis estão em risco.
“Você vê que pelos nomes é como se fosse uma brincadeira, mas lá embaixo estão pessoas reais e civis nesse caso”, concluiu o analista.
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