A recuperação do Tietê e Pinheiros pode viabilizar a reversão de águas para a represa Billings e impulsionar uma usina reversível no Henry Borden, em Cubatão. Secretaria diz que Emae só avança com melhoria da água.
A despoluição dos rios Tietê e Pinheiros poderá abrir caminho para a ampliação da reversão de água para a represa Billings e, consequentemente, para o desenvolvimento de um projeto de usina hidrelétrica reversível no complexo Henry Borden, em Cubatão, na Baixada Santista.
Em entrevista, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Governo de São Paulo, Natália Resende, afirmou que a melhora da qualidade da água é uma das condições necessárias para que a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) avance no projeto.
No presente momento, a Constituição do Estado de São Paulo impõe limitações à reversão das águas da bacia dos rios Tietê e Pinheiros para a Billings. De acordo com a secretária, essa restrição foi criada para evitar que a poluição dos rios fosse transferida para o reservatório, que é estratégico para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.
“Na Constituição estadual há uma limitação em relação a essa reversão do curso do rio por conta da poluição. Com os investimentos que estamos fazendo, vamos reduzir a carga orgânica no Tietê, reduzir no Pinheiros para conseguir reverter mais água limpa”, afirmou Resende.
A ampliação da reversão, no entanto, depende diretamente do avanço dos investimentos em saneamento e da melhora da qualidade da água dos rios. Este processo está ligado às obras e intervenções conduzidas pela Sabesp, que, após a privatização, assumiu o compromisso de antecipar para 2029 a universalização dos serviços de água e esgoto em sua área de atuação.
Dados citados pela secretária indicam que os investimentos já começam a produzir resultados, com uma redução de 22% da carga orgânica lançada no sistema.
“São aproximadamente 10 bilhões de litros de carga orgânica por mês que não vão mais para o Tietê. Há córregos que já estão despoluídos”, disse.
Embora a melhora da qualidade da água seja um avanço importante, isso não significa uma retomada automática da reversão. A secretária destacou que o tema está na agenda regulatória da SP Águas e da Cetesb, que deverão tratar das condições e dos volumes de água que poderão ser revertidos à medida que houver avanço na recuperação dos rios.
Na prática, a combinação entre os investimentos em saneamento, a melhora da qualidade da água e uma eventual ampliação dos volumes autorizados de reversão poderá criar condições para que a Emae desenvolva um sistema reversível associado à hidrelétrica Henry Borden.
As usinas hidrelétricas reversíveis utilizam o bombeamento de água como forma de armazenar energia. Em momentos de sobra de energia no sistema, a água é bombeada para o reservatório superior. Quando há aumento da demanda, a água retorna passando por turbinas e gerando eletricidade, sendo esse modelo uma das principais formas de armazenamento de energia em larga escala no cenário internacional.
No caso da usina de Henry Borden, o plano é aproveitar a diferença de 720 metros de altitude entre o sistema Billings e a Baixada Santista para armazenar e posteriormente gerar energia.
A estratégia, no entanto, não se limita ao setor elétrico. Ampliar a quantidade de água limpa direcionada à Billings poderá reforçar a segurança hídrica tanto da Região Metropolitana de São Paulo quanto da Baixada Santista.
“Isso [a despoluição] vai aumentar a resiliência não só da Região Metropolitana de São Paulo, mas também da Baixada Santista, porque quando a gente reverte [o curso do rio] a gente joga água na estação de tratamento de água de Cubatão”, afirmou.
O desenho criado entre saneamento, gestão de recursos hídricos e geração de energia poderá ser benéfico para a região. A água destinada ao sistema Billings poderá descer pela Serra do Mar, passando pelo complexo Henry Borden para geração de eletricidade e contribuir para o abastecimento da Baixada Santista.
A estação de tratamento de água de Cubatão está na fase final do processo de modernização. A Sabesp deve concluir em agosto a adutora que liga Cubatão ao Guarujá, ampliando a infraestrutura disponível para abastecimento da região.
Dessa forma, a mesma água utilizada no sistema associado à geração de energia em Henry Borden poderá desempenhar um papel adicional no reforço da segurança hídrica do litoral paulista. Atualmente, as bombas têm uma função estratégica no controle de enchentes em São Paulo, atuando para impedir que áreas localizadas no vale do rio Pinheiros sejam inundadas durante períodos de chuvas intensas.
Esse sistema busca controlar e direcionar as ondas de cheia que chegam aos diferentes pontos, reduzindo o risco de transbordamentos.
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