Dados da Secex analisados pelo Cepea apontam o embarque de 75,2 mil toneladas em julho, alta de 7,3% na comparação com 2025. O resultado é o melhor para o mês desde 2023 e reflete a recuperação após uma safra 2025/26 de colheita tardia.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o Brasil embarcou 75,2 mil toneladas de suco de laranja em equivalente concentrado no mês de julho. A quantidade representa uma alta de 7,3% em comparação ao mesmo período de 2025 e é o melhor resultado para o mês desde 2023.
Segundo o Cepea, um fator específico contribuiu para esse crescimento. Na safra anterior, 2025/2026, a colheita teve início mais tarde e apresentou menor disponibilidade de frutas para processamento. O cenário foi reflexo de anos consecutivos de problemas climáticos e fitossanitários, que pressionaram a oferta e mantiveram os estoques de suco em níveis historicamente baixos.
Estoques recompostos após quebras de safra
O Brasil, principal produtor e exportador mundial de suco de laranja, enfrentou desafios significativos nas últimas safras por causa do avanço do greening e de sucessivas quebras de safra, que reduziram drasticamente a quantidade de frutas disponíveis para processamento. Com o término da safra 2025/26 e uma colheita mais robusta, porém, a situação se inverteu. Os estoques de suco foram recompostos e a indústria passou a contar com um volume maior de frutas de boa qualidade.
Essa combinação de fatores permite que a indústria embarque volumes mais altos logo no início da nova temporada, mesmo diante de uma demanda internacional ainda enfraquecida. O mercado global de suco de laranja passa por uma das maiores transformações de sua história recente: o consumo mundial da bebida caiu 46,5% entre 2010 e 2025, enquanto a produção global de laranjas recuou apenas 18%.
A Secex e o Cepea atribuem o resultado positivo ao aumento dos embarques para os Estados Unidos e para a União Europeia, o que indica maior demanda pelo suco não concentrado, que vem ganhando espaço no comércio internacional.
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