Observatório Sebrae mapeou 3.664 startups B2G no Brasil; Sudeste e Nordeste concentram a maior presença. O setor público compra bilhões e 49,1% das GovTechs oferecem software para contratos.
O Brasil abriga 3.664 startups que declaram atuar no modelo business-to-government (B2G) ou ter o governo como cliente, segundo mapeamento inédito do Observatório Sebrae Startups. A distribuição geográfica revela protagonismo do Sudeste, com 32,2% das empresas, e do Nordeste, com 31,9%. Quase metade das GovTechs oferece software como principal produto (49,1%).
“O setor público brasileiro movimenta bilhões de reais em compras todos os anos e enfrenta uma demanda crescente por soluções tecnológicas. Isso abre uma oportunidade relevante para as GovTechs. As startups precisam compreender a dinâmica das compras públicas, estruturar processos comerciais adequados e ter capacidade de entrega compatível com as exigências do poder público. Quem conseguir superar essas barreiras encontra um mercado de grande escala.”
O levantamento, baseado em dados de startups cadastradas na Plataforma Sebrae Startups, traça o perfil do ecossistema de GovTechs — empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para desafios de gestão pública — e indica um setor ainda concentrado em estágios iniciais. A fase de validação concentra 42,2% das empresas; seguem tração (24,9%) e ideação (21,7%). Apenas 9,3% estão em crescimento estruturado e 2,4% atingiram escala.
Perfil de produtos e modelos de negócio
Produtos principais
- Software: 49,1% desenvolvem principalmente plataformas digitais.
- Serviços: 31,9% oferecem serviços como principal produto.
- Produtos físicos: 10,2%.
- Conteúdo: 3,47%.
- Hardware: 3,3%.
- Outras categorias: 2,3%.
Modelos de negócio
- Assinatura recorrente (SaaS): 46,7% adotam esse modelo.
- Vendas diretas: 22,1%.
- Licenciamento: 9,2%.
- Modelos transacionais: 7,7%.
- Outros formatos: 14,7%.
Estrutura societária
- Dois a três sócios: 49,7% das GovTechs.
- Fundadores solos: 28,1%.
- Quatro a seis sócios: 14,5%.
- Mais de seis sócios: 1,6%.
Distribuição regional
- Sudeste: 1.180 CNPJs (32,2%).
- Nordeste: 1.168 CNPJs (31,9%).
- Sul: 656 empresas (17,9%).
- Centro-Oeste: 369 empresas (10,1%).
- Norte: 283 empresas (7,7%).
Top municípios
- São Paulo: 319 CNPJs.
- Recife: 148 CNPJs.
- Florianópolis: 119 CNPJs.
- Rio de Janeiro: 102 CNPJs.
- Brasília: 100 CNPJs.
- Fortaleza: 96 CNPJs.
- Teresina: 96 CNPJs.
- Belo Horizonte: 84 CNPJs.
- Porto Alegre: 79 CNPJs.
- Natal: 75 CNPJs.
Recorte estadual
- São Paulo: 685 CNPJs (18,7% do total nacional).
- Pernambuco: 276 CNPJs (7,5%).
- Santa Catarina: 271 CNPJs (7,4%).
- Minas Gerais: 231 CNPJs (6,3%).
- Rio Grande do Sul: 229 CNPJs (6,3%).
- Rio de Janeiro: 170 CNPJs (4,6%).
- Paraná: 156 CNPJs (4,3%).
Empresas em contratos de inovação pública (CPSI)
Uma análise em parceria com o Observatório do CPSI identifica 59 órgãos e entidades públicas com editais de Contrato Público de Soluções Inovadoras (CPSI), dos quais 44 celebraram contratos com 248 fornecedores, totalizando 223 CNPJs distintos. Do universo de 223 empresas mapeadas nessa etapa, 80 possuem cadastro ativo na plataforma Sebrae Startups (35,9%).
- Porte financeiro: 57% faturam acima de R$ 4,8 milhões anuais; microempresas (R$ 81 mil a R$ 360 mil) representam 29,1%; empresas de pequeno porte (R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões) somam 13,9%.
- Produto principal entre contratadas: 66,7% (54 empresas) desenvolvem principalmente plataformas digitais.
- Serviços: 24,7% (20 empresas).
- Hardware: 6,2% (5 empresas).
- Produtos físicos: 2,5% (2 empresas).
O mapeamento mostra um mercado com alto potencial de demanda por tecnologia do setor público e um perfil de fornecedores que, em muitos casos, ainda está em fases iniciais de maturidade. A concentração de empresas em estados do Sudeste e Nordeste e a predominância de modelos SaaS e plataformas digitais marcam o atual desenho do ecossistema de GovTechs no país.
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