Cold Symmetry supera falhas do primeiro jogo, entregando um mundo mais coeso e combates afinados. A sequência amplia conteúdo e corrige ritmo, ganhando melhor aceitação entre veteranos do gênero.
Lançado em 2020, o primeiro Mortal Shell surpreendeu ao entregar um soulslike sólido vindo de um estúdio pequeno, mas foi criticado por um mundo que não se conectava bem, combates com problemas e curta duração. Esses pontos foram alvo de correções em Mortal Shell 2, que surge como um título digno de ser lembrado dentro do gênero.
O estúdio Cold Symmetry se superou consideravelmente na sequência. A análise foi publicada depois do lançamento e, por isso, já se percebe que o game está sendo mais aceito. O autor da review se apresenta como veterano de soulslike, com milhares de horas entre títulos da FromSoftware e outros do estilo, e traz impressões baseadas nessa experiência.
Entre os pontos positivos, o jogo apresenta combates dinâmicos que se beneficiam de diferentes builds, um mundo gigantesco repleto de segredos, atmosfera sombria que dá um tom consistente ao título e boa otimização no PC. Nos contrapontos, a trilha sonora não se destaca, todas as carcaças reagem de forma similar a qualquer arma, a câmera pode ser problemática em momentos específicos e bugs menores ainda atrapalham a experiência.
- Prós: combates dinâmicos; mundo amplo e cheio de segredos; atmosfera sombria; otimização no PC.
- Contras: trilha sonora desinteressante; carcaças reagem da mesma forma a diferentes armas; câmera inconsistente; bugs menores.
Não existe ordem certa para exploração do mundo de Mortal Shell 2 e isso é muito bom – Raphael Giannotti
Mortal Shell 2 traz de volta algumas carcaças do primeiro jogo — Harros (somente no início do jogo), Tiel e Eredrim — enquanto Solomom ficou de fora. Além dessas três, cinco carcaças novas foram adicionadas. Cada carcaça conta com habilidades próprias e um aprofundamento maior em relação ao título anterior.
As armas de cada carcaça também estão espalhadas pelo mapa, mas um ponto que incomoda é que, independentemente da arma, as carcaças lidam com elas da mesma forma. Isso reduz a sensação de expertise de cada personagem — seria interessante ver diferenças claras, por exemplo, Tiel com dificuldades no manejo de um machado ou Gragu com menos destreza para katanas. Além disso, todas as carcaças têm movimentação e peso similares, o que tira variedade ao conjunto.
As Pedras de Tar ajudam na construção de builds: são várias, com atributos, habilidades e capacidades únicas, algumas específicas para armas primárias ou secundárias. Quanto mais usadas, maior o nível de afinidade e a capacidade delas; o mesmo vale para itens de consumo, recurso herdado do primeiro jogo. Cada carcaça precisa ter os quatro níveis de vínculos destravados para atingir seu potencial, o que exige escolhas sobre quais carcaças priorizar. O personagem principal, o Arauto (ou mortal), também tem um nível próprio que melhora atributos gerais.
O mundo de Mortal Shell 2 é muito maior que o do primeiro jogo e as áreas se conectam bem: há caminhos a pé e portais que permitem saltos longos — alguns são atalhos, outros são o único acesso a certas regiões. Existem diversas masmorras que só passam a aparecer no mapa após o primeiro acesso; algumas são pequenas, outras grandes e com chefes, todas rendendo boas recompensas, inclusive armas principais. A ambientação é densa e bastante sombria, com forte neblina cobrindo amplas áreas, o que pode atrapalhar a apreciação visual do cenário.
Durante a jogatina, o jogo recebeu o primeiro patch com diversas correções, mas isso não impediu que fossem observados bugs.
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