Do primeiro clique já saiu a foto que estampa a edição especial: Marina seguiu instruções e posou com naturalidade. No estúdio, playlist venezuelana, equipe mineira e um secador para enfrentar o frio completaram a cena.
A capa da edição especial dedicada a Marina Sena foi definida no primeiro clique. A cantora pisou no set, ouviu os direcionamentos da equipe e, de primeira, entregou a foto que estampa a revista. No estúdio, a trilha vinha de uma playlist com músicas do Çantamarta, grupo venezuelano liderado pelo amigo Luiz Lozano, com quem ela gravou “Amparo” em 2025. Ao redor dela, uma equipe formada por mineiros completava o ambiente.
Só o clima daquela segunda-feira não colaborou: Marina estava morrendo de frio. O secador, usado para dar movimento às mechas cuidadosamente escovadas durante o ensaio, acabou servindo também para aquecê-la entre um clique e outro.
Mais tarde, ao enumerar as partes menos glamourosas do trabalho que aprendeu a aceitar desde que se tornou conhecida com o lançamento do primeiro álbum, “De Primeira”, há cinco anos, ela reclamou sobre a rotina de beleza:
“Fazer escova no cabelo é chato demais.”
Em outro momento, citou uma cena antiga de gravação que exigiu repetição exaustiva para atingir o resultado desejado:
“Sou especialista em enrolar chiclete no dedo. Já fiz isso mais de 300 vezes num dia para gravar um clipe do Rosa Neon.”
Aos 29 anos, Marina está prestes a entrar na nova década: no fim de setembro, a mineira chega aos 30 com algumas músicas do próximo disco já compostas. A sensação que ela transmite é de tranquilidade e segurança em relação ao próprio lugar no mundo.
“Eu me sinto forte para me mostrar, muito confiante com o mundo e comigo mesma. É como se eu estivesse assentada no planeta. Agora estou tranquila pisando na Terra.”
Ela afirma também que tem mudado a relação com a necessidade de se adaptar para caber em espaços profissionais:
“Não preciso mais me moldar para caber. Eu espero que o ambiente se molde a mim.”
Apesar da atenção constante que vem com a carreira internacional — ela vai embarcar em nova turnê pela Europa e viaja com 28 pessoas para os shows —, Marina diz que volta sempre a pensar na origem: Montes Claros e o norte de Minas aparecem com frequência nas lembranças e nas conversas sobre referências musicais.
Ela conta que vem revisitando nomes que ouviu na adolescência, como Grupo Raízes, Grupo Agreste e Marku Ribas, em um exercício de confirmação de identidade. A ideia é entender o que traz de casa para levar ao palco e à próxima fase da carreira.
“Acho que vi muita coisa pelo mundo, fui hiperestimulada. Agora preciso pensar: ‘O que tem aqui dentro de mim?’”
Sobre a construção da carreira e a percepção pública de conquistas, Marina questiona o ritmo com que se cobra sempre uma nova prova de talento:
“É sempre: ‘Marina Sena provando mais uma vez que é artista’. Mais uma vez? Já não provei lá atrás?”
Ela encerra a questão apontando para uma convicção pessoal e espiritual sobre sua trajetória:
“Já está provado. Eu já nasci provada. Provada por Deus. Deus falou: ‘Desça e seja artista’. Não tenho mais o que provar.”
O retrato que surge é o de uma artista que mantém a rotina de trabalho intensa, aprecia o reconhecimento e, ao mesmo tempo, busca equilíbrio entre a vida na estrada e a referência às suas raízes.

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