Pesquisa do Grupo Expedia com 25 mil viajantes mostra que cenas de filmes e séries influenciam a escolha de destinos. Dois em cada três entrevistados admitem viajar por 'set-jetting'.
A próxima grande atração turística de uma cidade pode não estar em guias ou roteiros tradicionais, mas em cenas de produções que milhões de pessoas assistem nas plataformas de streaming. Filmes, séries e programas de televisão estão interferindo diretamente na decisão sobre onde viajar, aponta pesquisa do Grupo Expedia realizada com 25 mil viajantes.
Segundo o levantamento, dois em cada três entrevistados afirmam que conteúdos vistos na tela influenciam as escolhas de destinos. O fenômeno já ganhou nome no mercado internacional: set-jetting, expressão usada para definir viagens motivadas por lugares exibidos em filmes e séries.
O impacto sobre destinos é observado em diferentes escalas. Produções que mostram cenários urbanos, hotéis, paisagens naturais ou bairros com vida cultural intensa tendem a despertar curiosidade e desejo de visita por parte do público, que busca recriar experiências vistas nas telas ou simplesmente conhecer os locais que serviram de cenário.
Exemplos citados na pesquisa e em análises sobre o tema incluem séries e filmes que impulsionaram procura por determinados destinos. A série “Emily em Paris” é lembrada por apresentar o cotidiano e pontos turísticos de Paris sob a perspectiva de uma executiva de marketing de Chicago. Já a série “The White Lotus” é associada a um aumento nas locações no hotel onde as cenas foram gravadas. O filme russo “Brat”, de 1997, também aparece como caso que despertou curiosidade por locações em São Petersburgo.
Para o setor de turismo, esse comportamento representa oportunidades e desafios: por um lado, destinos pouco conhecidos podem atrair fluxo de visitantes; por outro, há necessidade de preparar infraestrutura, ofertar serviços e gerir impactos do turismo em locais que passam a ter demanda repentina.
No horizonte do mercado, agentes e operadores observam as tendências de consumo audiovisual como um insumo importante na composição de pacotes e roteiros. Agregam-se ao planejamento ações de marketing territorial e parcerias com atrações locais para transformar a visibilidade conquistada nas telas em experiências concretas para o público.
O movimento de set-jetting também levanta debates sobre responsabilidade na promoção de destinos e sustentabilidade. Especialistas e gestores discutem como equilibrar a geração de receita com a preservação de espaços culturais e ambientais, evitando sobrecarga em pontos turísticos que ganham atenção repentina.
Assim, a relação entre entretenimento e turismo segue se estreitando: do sofá para o mundo, conteúdos audiovisuais passam a ser parte integrante do processo de escolha de onde viajar, segundo a pesquisa.





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