Delegado Alessandro (MDB), candidato ao Senado, pediu que o Congresso fiscalize os ministros do STF com limites que preservem a separação de poderes. Ele também comentou a troca de partido e confirmou apoio a Caiado.
O candidato ao Senado Delegado Alessandro (MDB) participou de entrevista nesta terça-feira (8) e falou sobre os desafios do Congresso diante dos escândalos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), seu apoio a Ronaldo Caiado na disputa presidencial, a troca de partidos durante o mandato e temas legislativos em tramitação.
Questionado sobre os limites da atuação do Senado na fiscalização e eventual responsabilização de ministros do STF, para garantir controles institucionais sem comprometer a independência entre os poderes, o político afirmou que a Casa precisa atuar para controlar excessos e equívocos praticados e que o Brasil vive uma crise causada pelo envolvimento dos ministros.
“Não é uma questão política, não é uma questão eleitoral ter repercussões, mas a base está na conduta”
Ao comentar a polarização, a defesa da democracia e os problemas que precisam ser investigados, ele citou a ausência de mecanismos internos no Supremo e a dificuldade do Senado em enfrentar pressões. No relato, apontou limitações institucionais que, na avaliação dele, dificultam procedimentos contra magistrados.
“Nós não temos, infelizmente, a quantidade necessária de senadores com independência, coragem e ficha limpa para enfrentar a pressão dos ministros. Porque a pressão dos ministros é muito grande”
O candidato destacou falhas no arranjo constitucional ao tratar de investigações e afastamentos de ministros, citando a exigência de iniciativa da Procuradoria-Geral da República (PGR) e o papel do presidente do Senado em processos de impeachment.
“Um defeito é esse: ele muitas vezes concentra todo o poder na mão de uma pessoa. É o caso de uma investigação criminal de ministros do Supremo, só quem pode pedir é a PGR [Procuradoria-Geral da República], que a PGR já disse que não vai pedir. Independente de qualquer circunstância, impeachment de ministros só pode andar com a palavra do presidente do Senado, que já disse que não vai fazer também”
Apesar das críticas, afirmou que a Constituição oferece instrumentos necessários e que a igualdade só será atingida quando a Justiça for igual para todos. Sobre a troca de partidos no decorrer de seu primeiro mandato, ele defendeu que a movimentação não enfraquece a confiança do eleitorado.
“Eu acredito que não. Primeiro porque o brasileiro vota em pessoas, não vota em partidos, com raras exceções. E segundo porque essa trajetória é muito típica de quem, como eu, não entrou com uma história política, não tem parente político, não tem padrinho. Eu entrei na política em 2018 porque eu não enxergava na política ninguém que pudesse fazer o que eu achava necessário, que é enfrentar os poderosos, colocar o dinheiro com honestidade no seu lugar de destino.”
Sobre segurança pública, ele opinou a favor do projeto que propõe o uso obrigatório de câmeras corporais por agentes em todo o país, avaliando que o dispositivo aumenta a produção de prova, protege o policial e reduz a letalidade.
“Eu acho positivo, esse projeto surgiu numa iniciativa de policiais […] se entendeu que com o uso da câmera você aumenta a produção de prova, você protege o policial e reduz a letalidade. Não teve nenhuma redução, nada negativo para os efeitos da segurança pública”
O candidato também falou sobre preservação ambiental, citando Pantanal, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, e disse agir para que o bioma da Caatinga tenha projetos específicos. Mencionou ainda propostas de sua autoria que aumentam o controle patrimonial de autoridades e familiares, projetos contra as fake news, o ECA Digital e alterações na maioridade penal para adolescentes envolvidos em crimes de alta violência ou vinculados a facções.
Em suas considerações finais, ele afirmou que conta com a confiança do eleitor para uma reeleição.

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