Milhares de fãs, com capas de chuva, lotaram o Nubank Parque no domingo (13). Depois de show elogiado no Rock in Rio, a banda trouxe repertório mais longo e houve encontros, como workshop do baixista Paul Turner.
Na tarde e noite de domingo (13), milhares de fãs do Jamiroquai lotaram boa parte do Nubank Parque, mesmo com chuva e usando capas para se proteger. A banda, que não vinha ao Brasil havia oito anos, havia feito um show elogiado no Rock in Rio, na sexta (11), e chegou a São Paulo com vontade de apresentar ao público um repertório mais longo do que o espaço reduzido do festival permitira.
Antes da apresentação, parte dos músicos aproveitou a passagem pela cidade para atividades abertas e encontros musicais. Paul Turner, o baixista, realizou no sábado um workshop numa loja de baixos em São Paulo. O baterista Derrick McKenzie fez um set como DJ na Soho House, tocando soulful house e disco. O percussionista Fábio de Oliveira levou colegas a uma roda de samba de raiz no Tatuapé. Essas iniciativas mostraram a imersão do grupo na cena local antes do show.
No palco, além de Derrick McKenzie (na banda desde 1994), Fábio de Oliveira e Paul Turner, estavam Sara De Santis (teclados e efeitos), o conjunto de sopros com Malcolm Strachan (trompete), James Russell (sax e flauta) e Jim Corry (sax), o guitarrista Rob Harris, o tecladista Matt Johnson e o trio de backing vocals Valerie Etienne, Hazel Fernandez e Romina Johnson. O engenheiro de som Rick Pope, com mais de três décadas ao lado do grupo, foi destacado pela qualidade da sonoridade.
“Virtual Insanity é o que estamos vivendo”
O repertório percorreu grandes sucessos e momentos de improviso, com versões ora intimistas e ora mais aceleradas e dançantes. Jay Kay ocupou o centro do palco, cantando, dançando e interagindo com o público; assinou discos para fãs e exibiu figurinos com peças da Adidas e chapéus, incluindo um cocar de LED.
Em discurso antes de tocar um dos hinos da banda, Jay Kay contextualizou a letra e fez um apelo sobre violência e conflitos atuais. Em seguida, executou a faixa que ganha 30 anos neste ano:
“Infelizmente essa letra está mais atual do que nunca, com tantos crimes de guerra acontecendo, homens matando mulheres e crianças todos os dias. Eu não quero saber do que esses caras têm a dizer”
A apresentação, durando quase duas horas, manteve o público no espaço mesmo sob chuva: houve dança, aplausos e gritos de celebração. O show reforçou a trajetória do Jamiroquai, cuja entrada no cenário em 1992 combinou jazz-funk com letras de tom apocalíptico e projetou a banda para um sucesso global nos anos 1990, com álbuns como “Emergency on Planet Earth” e “Travelling Without Moving”.
Setlist
- (Don’t) Give Hate a Chance
- Little L
- Seven Days in Sunny June
- Space Cowboy
- Alright
- High Times
- Disco Stays the Same
- Travelling Without Moving
- Canned Heat
- Cosmic Girl
- Love Foolosophy
- Virtual Insanity
Mesmo com episódios e controvérsias ao longo dos anos envolvendo seu líder, a recepção em São Paulo deixou claro o respeito do público pela música. A banda mostrou entrosamento e técnica, e a chuva não foi suficiente para dispersar os fãs que acompanharam o repertório até o fim.



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