Em agosto, no Hotel Unique (SP), a lista Power Players reuniu a indústria musical e premiou 50 profissionais dos bastidores. Filho do neurocirurgião Paulo e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, Luiz Oscar foi o principal homenageado.
Foi numa noite fria de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo, que a indústria musical brasileira se reuniu para celebrar profissionais dos bastidores. Na primeira edição brasileira da lista Power Players, 50 nomes foram reconhecidos — e o principal homenageado da noite, coroado Executivo do Ano de 2026, foi Luiz Oscar Niemeyer.
Filho do neurocirurgião Paulo Niemeyer e sobrinho do arquiteto Oscar Niemeyer, Luiz Oscar construiu carreira longe da medicina e da arquitetura da família. A trajetória começou na adolescência, entre a obsessão por Beatles e Rolling Stones e a vivência com artistas como Nara Leão, Santana, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Formado em comunicação pela PUC-Rio e com mestrado nos Estados Unidos, ele voltou ao Brasil em 1984 e aceitou um convite que mudaria sua vida.
No ano seguinte, assumiu a coordenação geral do primeiro Rock in Rio, aos 28 anos. O desafio parecia impossível: erguer uma “Cidade do Rock” num pântano na Barra da Tijuca em prazo de seis meses, negociar com gravadoras internacionais que desconheciam a empresa promotora e convencer artistas a vir ao país. A primeira contratação assinada foi a de Ozzy Osbourne; a confirmação do Queen, com o maior cachê do festival — 600 mil dólares, equivalentes a 1,3 milhão em valores atuais —, deu credibilidade ao projeto e abriu caminho para outras atrações.
Também foram decisivas as negociações para a transmissão televisiva e parcerias institucionalmente importantes, em especial após contatos em que familiares do executivo auxiliaram nas costuras. Em cidades como Nova York e Los Angeles, Niemeyer fechou acordos com artistas como Rod Stewart e James Taylor. O Rock in Rio de 1985 reuniu cerca de 1,4 milhão de pessoas e marcou uma virada na produção de grandes shows no país.
“O Rock in Rio funcionou como um curso intensivo de produção. Aprendi muito nesse processo, cheguei ao ponto em que, em 1987, quando a Souza Cruz me chamou para fazer o Hollywood Rock, já me sentia seguro para enfrentar o desafio”
Com essa experiência, ele fundou a Mills & Niemeyer e produziu o Hollywood Rock, evento que, entre 1988 e 1996, trouxe ao Brasil artistas como Tina Turner, Duran Duran, Nirvana, Red Hot Chili Peppers, Bob Dylan, Aerosmith e Whitney Houston. Em 21 de abril de 1990, produziu o projeto “Paul in Rio”: Paul McCartney se apresentou para 184 mil pessoas no Maracanã, registro que entrou para o Guinness Book.
Posteriormente, passou mais de uma década à frente da BMG, conciliando mercados de shows e fonográfico. Hoje, ao lado do filho Luiz Guilherme Niemeyer, comanda a Bonus Track, responsável pela plataforma Todo Mundo no Rio, que em 2024 trouxe Madonna e 1,6 milhão de pessoas a Copacabana; em 2025 repetiu a façanha com Lady Gaga e 2,1 milhão; e, em 2026, realizou o show de Shakira com participações de Maria Bethânia, Caetano Veloso, Ivete Sangalo e Anitta. A empresa também assina festivais próprios como Doce Maravilha e trouxe de volta ao Brasil o Primavera Sound em 2026.
O prêmio Executivo do Ano destacou não apenas a carreira de um produtor, mas também a geração que ajudou a transformar o Brasil em um dos mercados relevantes da música global. Em suas memórias, o executivo sintetiza parte de sua filosofia:
“Não importa o tamanho, a principal preocupação “


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