Em carreata ao lado de Valmir de Francisquinho, prefeita da capital aponta pressão do Palácio de Despachos sobre vereadores, relembra episódio de mensagens vazadas e justifica mudanças na gestão municipal.
O clima na política sergipana atingiu níveis elevados de temperatura nesta segunda-feira (14). Durante uma concorrida carreata em apoio à candidatura de Valmir de Francisquinho ao Governo do Estado, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, fez duras críticas à postura do governador Fábio Mitidieri. Em entrevista, a gestora municipal afirmou categoricamente que o chefe do Executivo estadual tem exercido forte interferência política nas decisões e no ambiente de diálogo da Câmara Municipal de Aracaju (CMA).
Para Emília, as ações do governo estadual têm buscado inviabilizar a governabilidade da Prefeitura e distanciar o parlamento mirim do Poder Executivo municipal.
“O que a gente vê na verdade, e respeitando muito a Câmara, é uma interferência política muito forte. A Alese está ligada aos deputados; a prefeita está ligada aos vereadores. E muitas vezes a gente vê uma interferência do governador para que não haja uma conversa entre vereadores e prefeita. A gente não pode admitir isso porque o que eu tenho com os vereadores é governabilidade”, pontuou a prefeita.
Durante seu pronunciamento, a gestora relembrou a recente polêmica envolvendo vazamento de mensagens de texto atribuídas ao governador com parlamentares da base governista, ocasião em que o chefe de Estado cobrou uma postura mais agressiva da bancada após críticas públicas sobre o tema da Iguá Saneamento:
“Vocês lembram do print? O print foi claro: ‘vai pra cima’. O governador pediu aos vereadores para ir para cima da prefeita. Isso aí é republicano? Executivo municipal é com Câmara Municipal, e Executivo estadual é com a Alese. Governador tem que cuidar dos seus deputados e a prefeita da sua base”, declarou.
Alinhamento e Ajustes na Base Aliada
Além de reiterar de forma enfática sua preferência eleitoral na disputa estadual — afirmando com firmeza que seu candidato é Valmir de Francisquinho —, Emília comentou abertamente sobre as recentes movimentações em seu secretariado e na estrutura de cargos comissionados, que culminaram na desvinculação de indicações ligadas aos vereadores Breno Garibalde (PSB) e Selma França (PSD).
A prefeita explicou que as exonerações decorreram exclusivamente do posicionamento político adotado pelos próprios parlamentares no legislativo municipal.
“Tivemos recentemente o afastamento de indicações de Breno porque ele não estava se identificando como base. Tivemos agora o afastamento da Selma, que também não estava se identificando como base. E a gente respeita a postura de cada um. Não existe, da parte da prefeita Emília, perseguição alguma. Agora, o governador tem se mostrado um perseguidor”, finalizou.
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