O presidente embarca domingo para Nova York e participa da 81ª Assembleia da ONU. No discurso de alto nível, defenderá negociação, respeito ao direito internacional humanitário e a não intervenção.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participará da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). No tradicional discurso de abertura na seção de alto nível da assembleia, o presidente deve ressaltar a importância do multilateralismo, uma das linhas centrais da política externa brasileira, em um cenário marcado pela multiplicação de conflitos internacionais.
O discurso também deverá defender a negociação como caminho para a solução de disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países. A fala deve apresentar a visão do Brasil sobre os principais temas da agenda internacional.
A reforma das Nações Unidas, em particular de seu Conselho de Segurança, deve estar entre os temas abordados. O Brasil defende há anos a atualização da composição e do funcionamento do órgão e critica a sua dificuldade de responder aos conflitos internacionais.
Agenda presidencial
Principais compromissos
- 20/09 (domingo): chegada a Nova York ainda na noite.
- 21/09 (segunda-feira): encontros bilaterais reservados ao longo do dia.
- 22/09 (terça-feira, manhã): encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, seguido do discurso na Assembleia Geral; retorno ao Brasil no mesmo dia.
Além dos encontros bilaterais que ainda não foram anunciados, um dos compromissos previstos de Lula será com o prefeito da cidade, o progressista Zohran Mamdani, do Partido Democrata, que governa Nova York desde o início do ano.
Possibilidade de encontro com o presidente dos EUA
O Palácio Itamaraty não informou sobre a expectativa de um encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, que não tem confirmação de nenhuma das partes. O presidente norte-americano é o segundo a falar, logo após Lula, e ambos eventualmente poderiam se cruzar nos bastidores do plenário.
No ano passado, os dois líderes tiveram um breve contato, quando Lula deixava o palco após seu discurso e Trump se preparava para falar. Na ocasião, o encontro causou boa impressão nos dois presidentes e Trump posteriormente falou em:
“química excelente”
Foi o primeiro de três encontros entre os dois líderes desde então.
Participações ministeriais e reuniões
Atuação do Itamaraty
- Ministro Mauro Vieira: permanecerá em Nova York durante toda a semana e participará de reuniões e encontros ministeriais, entre eles do Brics, do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), do G77, do G4, do L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), além de reuniões da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Consenso de Brasília.
- 23/09: presidente de reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência brasileira do G20.
- 24/09: presidirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
O Brasil ocupa atualmente a presidência da Zopacas, após a realização, em abril deste ano, da 9ª Reunião Ministerial da organização. O país exercerá a presidência pelo período de três anos.
Outros ministros
- Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome): participará de atividades em Nova York entre os dias 21 e 23 de setembro, com agendas relacionadas à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional; no dia 23, participará do encontro da Aliança Global.
Comitiva
- Esther Dweck: ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (participações previstas em atividades da pasta).
- Luiz Eloy Terena: ministro dos Povos Indígenas (participações previstas em atividades da pasta).
- Rachel Barros: ministra da Igualdade Racial (participações previstas em atividades da pasta).
Além da agenda em plenário e das reuniões multilaterais, a delegação brasileira participará de encontros do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de discussões sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, o combate à desigualdade, a Comissão de Consolidação da Paz e temas relacionados ao direito internacional humanitário.
Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral das Nações Unidas como presidente da República. Em seus três mandatos, ele só não compareceu em 2010.
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