Em discurso de quase 40 minutos na Assembleia-Geral da ONU, Trump advertiu que pode intervir militarmente para proteger interesses dos EUA e citou a Venezuela como exemplo. Falou após Lula.
Em discurso de quase 40 minutos na sede das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o uso da força militar em países da América Latina e do Caribe para garantir os interesses da Casa Branca na região. A fala ocorreu durante a abertura da 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22), logo após a exposição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Trump afirmou que as ações dos EUA na Venezuela serviriam como exemplo para evitar que ameaças aos Estados Unidos avancem no Hemisfério Ocidental e advertiu que Washington não hesitará em empregar seu poderio militar quando considerar necessário.
“Nossas ações na Venezuela provam que os EUA não permitirão mais que ameaças à América [EUA] ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA”
No discurso, Trump comemorou um acordo petroleiro envolvendo a Venezuela e uma empresa ligada ao Pentágono, que, segundo o presidente, garante o controle de até 21% do petróleo venezuelano. Ele descreveu a operação como um grande negócio e associou os ganhos à lógica do vencedor sobre os espólios.
“Foi uma guerra, mas talvez seja o maior negócio já realizado. Ao vencedor pertencem os espólios; todos vocês já ouviram isso”
O texto tratou ainda das ações norte-americanas na Venezuela, afirmando que os EUA invadiram o país e sequestraram o presidente Nicolás Maduro sob a alegação de que Caracas seria um “narcoestado”, argumento que foi rejeitado por especialistas, segundo a matéria. Após a prisão de Maduro, o Departamento de Justiça dos EUA teria retirado a acusação de que ele lideraria o suposto “Cartel de Los Soles”; a existência desse grupo, acrescentou o texto, não é consenso entre especialistas.
Também em seu discurso, Trump comparou os cartéis de drogas latino-americanos a organizações terroristas e disse ter acionado as Forças Armadas dos EUA para combatê-los. A comparação com o ISIS foi reiterada por autoridades dos Estados Unidos como justificativa para eventuais ações militares na região.
“Acionei as Forças Armadas dos Estados Unidos para eliminá-los. Os cartéis são o ISIS do Hemisfério Ocidental”
O presidente americano fez menções diretas ao México, afirmando ter boas relações com a governante Claudia Sheinbaum, mas considerou inaceitável que os Estados Unidos façam fronteira com um país que seria o “epicentro da violência dos cartéis”. Em seguida dirigiu um apelo ao México para retomar o controle territorial.
“Portanto, o México deve retomar o controle de seu território das mãos dos inimigos da humanidade”
A delegação de Cuba se retirou do plenário da ONU durante a fala de Trump em sinal de protesto. Analistas vêm alertando que a retórica da Casa Branca pode servir de pretexto para interferências na política interna de países latino-americanos. Na abertura da sessão, Lula havia destacado a pressão sofrida pela América Latina e Caribe por estarem próximas da maior potência militar do planeta e fez críticas a intervenções recentes.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”
“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais”
O conteúdo manteve os trechos e dados originais sobre prisões, listas e decisões mencionadas no discurso, preservando as informações citadas sobre o acordo petroleiro, a retirada da Venezuela de uma lista antidrogas e os questionamentos de especialistas sobre manchetes relativas a cartéis.
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