A informatização eleitoral começou em 1986 com o cadastro eletrônico de milhões de eleitores. Em 1994 o TSE testou equipamentos dedicados ao registro de votos, abrindo caminho para a adoção nacional.
A ideia de substituir a votação em papel por uma máquina eletrônica começou a ganhar forma no Brasil antes de o equipamento chegar às seções eleitorais. A informatização da Justiça Eleitoral avançou por etapas: primeiro o cadastro de eleitores, depois o processamento eletrônico de resultados e, na década de 1990, o trabalho em um equipamento dedicado ao registro dos votos.
A informatização da Justiça Eleitoral teve início em 1986, quando cerca de 70 milhões de eleitores foram incluídos em um cadastro eletrônico nacional. Em 1994, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou pela primeira vez a totalização das eleições gerais usando um computador central. O projeto específico da urna eletrônica começou no ano seguinte.
Em 1995, durante a gestão do ministro Carlos Velloso no TSE, foi formada uma comissão técnica para desenvolver uma máquina capaz de registrar os votos. O grupo reuniu pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e especialistas em informática, eletrônica e comunicações ligados a diferentes órgãos públicos. O primeiro nome do equipamento foi Coletor Eletrônico de Votos (CEV), com premissas voltadas à redução da intervenção humana na apuração e totalização e à preservação do sigilo do voto.
A tecnologia foi concebida como um equipamento dedicado às eleições, em vez de apenas adaptar um computador convencional. O eleitor utilizaria um teclado numérico para informar o número do candidato ou partido, enquanto os dados seriam armazenados eletronicamente. Antes desse projeto, o país já havia realizado experiências: em 1989, eleitores de Brusque, em Santa Catarina, participaram de um teste que permitia votar por meio de um computador.
A primeira geração da urna eletrônica recebeu o nome UE96 e tinha especificações modestas: processador Intel 386SX de 40 MHz, 2 MB de memória RAM e dois disquetes de 1,44 MB para armazenamento. O teclado tinha disposição semelhante à de um telefone. A UE96 também contava com uma impressora matricial; os votos digitados eram impressos e depositados em um recipiente acoplado ao equipamento, embora o eleitor não visualizasse esse registro. A impressão servia para permitir eventual conferência posterior dos votos registrados eletronicamente.
A tecnologia foi utilizada oficialmente pela primeira vez em 1996, quando a votação eletrônica chegou a 57 cidades, incluindo as 26 capitais dos estados, além de municípios com mais de 200 mil eleitores. Mais de 32 milhões de brasileiros, cerca de um terço do eleitorado da época, votaram por meio das novas máquinas. Em 1998, a votação eletrônica alcançou 537 municípios e aproximadamente 58% do eleitorado. O salto definitivo aconteceu nas eleições municipais de 2000, quando todas as seções passaram a utilizar o sistema eletrônico: foram 353.780 urnas para um eleitorado de aproximadamente 109,8 milhões de pessoas.
Desde então, a urna passou por diversas gerações de hardware. A UE98 abandonou os disquetes em favor de cartões de memória flash, e modelos posteriores incorporaram novos componentes, recursos de acessibilidade, identificação biométrica e outras mudanças. Assim, 1996 marcou o início do uso da urna eletrônica em eleições oficiais, enquanto 2000 representou a conclusão da expansão para todo o eleitorado, resultado de uma evolução iniciada anos antes, quando a Justiça Eleitoral começou a informatizar outras etapas do processo.
Publicado em 25/09/2026.
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