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Aracaju, Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
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Acidente

Justiça transforma 12 integrantes da Voepass em réus pelo acidente aéreo

Justiça Federal tornou réus 12 integrantes da Voepass por queda de avião em agosto de 2024, que matou 62 pessoas; denúncias citam falhas técnicas e cultura organizacional.

21/10/2026 · 00h00 · Atualizado às 12h47
Justiça transforma 12 integrantes da Voepass em réus pelo acidente aéreo

A Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus 12 integrantes da Voepass por envolvimento na queda do avião da empresa. O acidente ocorreu em agosto de 2024, em Vinhedo (SP), e matou 62 pessoas.

Os 12 réus vão responder pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo. Segundo a denúncia, os fatos não se limitam às causas técnicas do acidente, mas também se relacionam com a cultura organizacional da empresa, que priorizava economia de recursos e lucro em detrimento da manutenção das aeronaves.

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Entre os réus estão diretores e membros da alta administração da Voepass que, segundo o MPF, eram responsáveis por decisões que teriam propiciado as condições para a queda do avião. Um dos nomes citados na denúncia é o do presidente da empresa, José Luiz Felício Filho. Também foram denunciados dois funcionários que, de acordo com o MPF, embora não ocupassem cargos de comando, teriam contribuído para o acidente.

A Polícia Federal concluiu em agosto seu relatório e indiciou 16 pessoas pelo acidente. Quatro dos indiciados firmaram acordos de não persecução penal com o MPF e, por isso, não foram denunciados pelo órgão.

O relatório da Polícia Federal apontou que a aeronave não tinha condições técnicas de realizar o voo nas circunstâncias a que foi submetida, com formação de gelo severo e precipitações. Equipamentos considerados imprescindíveis para voar sob essas condições, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisa, estavam inoperantes. Mesmo assim, a empresa decidiu autorizar a decolagem.

“O desastre não consistiu em um evento fortuito ou isolado, mas no desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas na manutenção preventiva, de descumprimento de normas regulatórias e de degradação consciente do gerenciamento de segurança operacional no âmbito da Voepass”, afirma a procuradora da República Viviane de Oliveira Martinez, autora da denúncia à Justiça.

De acordo com a peça acusatória, a empresa sabia que o modelo ATR 72-500 não possuía certificação ou homologação do fabricante para operar em condições críticas de gelo. Ainda assim, a aeronave foi escalada para cumprir o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) em 9 de agosto, quando havia alertas para formação de gelo severo ao longo da rota. À incapacidade técnica do avião somaram-se os problemas no sistema de degelo, que teriam provocado perda de sustentação em voo.

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Em julho, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também concluiu suas investigações e apontou falhas no sistema, alertas ignorados, revisões mecânicas insuficientes e uma cultura organizacional de não reportar falhas em voos anteriores como fatores do acidente.

“Ao longo de mais de três décadas de atuação na aviação brasileira, a Voepass manteve a segurança operacional como princípio fundamental, com procedimentos de manutenção, operação e treinamento orientados pela regulamentação aeronáutica e por suas diretrizes internas de segurança e conformidade”, informou a Voepass, em nota.

“À época do acidente com o voo 2283, Felício integrava o Conselho da Voepass e estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação, tendo retomado a gestão executiva após o acidente”, disse a defesa do presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, ao tomar conhecimento do recebimento da denúncia pela Justiça Federal.

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“Felício tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações e seguirá à disposição da Justiça para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos. O executivo mantém sua confiança no devido processo legal e reitera seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283”, complementou a defesa.

O caso seguirá agora no âmbito da Justiça Federal, onde os réus deverão responder pelas acusações apresentadas pelo MPF. As investigações e processos relacionados ao acidente envolveram apurações técnicas e análises sobre práticas administrativas e de segurança operacional da empresa.

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A Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus 12 integrantes da Voepass por envolvimento na queda do avião da empresa. O acidente ocorreu em agosto de 2024, em Vinhedo (SP), e matou 62 pessoas.

Os 12 réus vão responder pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo. Segundo a denúncia, os fatos não se limitam às causas técnicas do acidente, mas também se relacionam com a cultura organizacional da empresa, que priorizava economia de recursos e lucro em detrimento da manutenção das aeronaves.

Entre os réus estão diretores e membros da alta administração da Voepass que, segundo o MPF, eram responsáveis por decisões que teriam propiciado as condições para a queda do avião. Um dos nomes citados na denúncia é o do presidente da empresa, José Luiz Felício Filho. Também foram denunciados dois funcionários que, de acordo com o MPF, embora não ocupassem cargos de comando, teriam contribuído para o acidente.

A Polícia Federal concluiu em agosto seu relatório e indiciou 16 pessoas pelo acidente. Quatro dos indiciados firmaram acordos de não persecução penal com o MPF e, por isso, não foram denunciados pelo órgão.

O relatório da Polícia Federal apontou que a aeronave não tinha condições técnicas de realizar o voo nas circunstâncias a que foi submetida, com formação de gelo severo e precipitações. Equipamentos considerados imprescindíveis para voar sob essas condições, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisa, estavam inoperantes. Mesmo assim, a empresa decidiu autorizar a decolagem.

“O desastre não consistiu em um evento fortuito ou isolado, mas no desfecho previsível de um processo continuado de omissões deliberadas na manutenção preventiva, de descumprimento de normas regulatórias e de degradação consciente do gerenciamento de segurança operacional no âmbito da Voepass”, afirma a procuradora da República Viviane de Oliveira Martinez, autora da denúncia à Justiça.

De acordo com a peça acusatória, a empresa sabia que o modelo ATR 72-500 não possuía certificação ou homologação do fabricante para operar em condições críticas de gelo. Ainda assim, a aeronave foi escalada para cumprir o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) em 9 de agosto, quando havia alertas para formação de gelo severo ao longo da rota. À incapacidade técnica do avião somaram-se os problemas no sistema de degelo, que teriam provocado perda de sustentação em voo.

Em julho, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também concluiu suas investigações e apontou falhas no sistema, alertas ignorados, revisões mecânicas insuficientes e uma cultura organizacional de não reportar falhas em voos anteriores como fatores do acidente.

“Ao longo de mais de três décadas de atuação na aviação brasileira, a Voepass manteve a segurança operacional como princípio fundamental, com procedimentos de manutenção, operação e treinamento orientados pela regulamentação aeronáutica e por suas diretrizes internas de segurança e conformidade”, informou a Voepass, em nota.

“À época do acidente com o voo 2283, Felício integrava o Conselho da Voepass e estava afastado da gestão direta e cotidiana da operação, tendo retomado a gestão executiva após o acidente”, disse a defesa do presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, ao tomar conhecimento do recebimento da denúncia pela Justiça Federal.

“Felício tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações e seguirá à disposição da Justiça para contribuir com o completo esclarecimento dos fatos. O executivo mantém sua confiança no devido processo legal e reitera seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283”, complementou a defesa.

O caso seguirá agora no âmbito da Justiça Federal, onde os réus deverão responder pelas acusações apresentadas pelo MPF. As investigações e processos relacionados ao acidente envolveram apurações técnicas e análises sobre práticas administrativas e de segurança operacional da empresa.

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