A Universidade Federal de Sergipe (UFS) recebeu, na sexta-feira, 16, a roda de conversa internacional “Da África que Você Ouviu à África que Nós Vivemos”, organizada pelo coletivo Black Connection-SE. O encontro ocorreu no Auditório da Didática 5 do Campus São Cristóvão e reuniu palestrantes originários de Gana, Marrocos, Moçambique e Angola. A programação também teve apresentação musical da cantora Lari Lima.
O debate levou ao ambiente universitário a discussão sobre as imagens da África construídas pela mídia e a diferença entre o continente retratado nos livros e a realidade vivida por quem nasceu lá. Participaram do diálogo estudantes e representantes dos quatro países, em troca com a comunidade acadêmica local.
Um dos palestrantes e organizadores, Samuel Okoh Agyemang, que veio de Gana para o Brasil quase sete anos atrás, destacou a função educativa do projeto para além do material didático tradicional.
“Eu vejo a importância de criar esse projeto onde a gente pode educar as pessoas. Porque o que nós lemos nos livros, não é exatamente o que nós vivemos. Então, a pessoa pode até ser do Departamento de História, pode até fazer História, mas essa pessoa não consegue contar a minha história”.
O evento também contou com a participação de um engenheiro ambiental angolano, Jorge Yoñuma, que está em Sergipe para doutorado em recursos hídricos. Ao comparar experiências anteriores, ele ressaltou a diferença na presença de fóruns que promovam debates profundos sobre África e africanidade na região.
“Não se falava, não tínhamos fóruns como este para fazer debates profundos sobre a África, a africanidade e o resto, que é a nossa história. Simplesmente vinha para cá alguém da África, fazia um curso e voltava. Não havia essas comunidades, nenhuma organização ou articulação institucional, então considero de extrema importância a organização deste evento”.
Outro participante, o marroquino Omar Hasbi, cirurgião-dentista e membro fundador da Associação de Estudantes Estrangeiros da UFS, lembrou que muitas percepções sobre a África vêm do consumo de grandes mídias, novelas e filmes, e defendeu a importância de encontros como o realizado no campus para desconstruir imagens estereotipadas.
“Eu sou do Marrocos, o brasileiro vai ter muitas ideias pré-feitas, pré-fabricadas do consumo das grandes mídias, das novelas, dos filmes. Que esse tipo de encontro sirva para desconstruir essas imagens”.
Um estudante do curso de Geografia no Campus São Cristóvão avaliou a roda de conversa como uma oportunidade de ampliar o conhecimento sobre a influência africana e de abrir espaço para vozes historicamente marginalizadas. Para ele, o encontro teve caráter de reparação histórica ao oferecer lugar de fala aos participantes e reafirmar a importância de suas culturas na sociedade.
“Eu vejo esse evento como uma reparação histórica, para que eles possam ter lugar de fala, possam mostrar sua cultura e mostrar que eles também têm importância na sociedade”.
A iniciativa buscou promover reflexões sobre preconceitos e estereótipos, aproximando a comunidade acadêmica de narrativas vividas por pessoas nascidas no continente africano e debatendo a diferença entre representação midiática e experiência cotidiana.
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