Iniciativa conduzida pelo NUPPE/Unit em parceria com o ITP e a Prefeitura de Propriá tem como objetivo modernizar a infraestrutura e promover a integração entre comunidade, economia e meio ambiente
A Prainha de Propriá, localizada às margens do Rio São Francisco, é um dos locais mais movimentados por moradores e turistas. O espaço já concentra bares, áreas de lazer e atividades esportivas consolidadas. No entanto, seu potencial de desenvolvimento social e turístico pode ser ainda mais explorado. Para isso, a área será contemplada por um estudo de requalificação urbana, um projeto que pretende renovar e valorizar toda a orla.
Para viabilizar a proposta, o Laboratório de Gestão Pública do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), em conjunto com o Núcleo de Projetos, Pesquisa e Extensão em Arquitetura e Urbanismo (NUPPE) da Universidade Tiradentes (Unit), firmou parceria com a Prefeitura de Propriá. A meta é estruturar um plano de reurbanização que assegure avanços relevantes na infraestrutura e na qualidade de vida dos moradores.
A reurbanização vai além da questão estética. Conforme explica a professora Rayane de Oliveira, coordenadora do NUPPE, o estudo prevê melhorias na acessibilidade e nas estruturas da área, possibilitando maior aproveitamento da balneabilidade, das práticas esportivas e da gastronomia regional. “A Prainha já funciona como espaço de convivência para a população, e a ideia é ampliar esse uso. Queremos tornar o ambiente mais estruturado e atrativo para a comunidade e para os visitantes”, afirma.
Integração e benefícios para a população
A união entre o NUPPE e o Laboratório de Gestão Pública tem se consolidado como ação estratégica de apoio às políticas municipais. Formado por arquitetos, pesquisadores e estudantes, o grupo já desenvolve atividades em cinco cidades sergipanas. Para a arquiteta e urbanista Shirley Dantas, coordenadora do Laboratório de Gestão Pública do ITP, a proposta é auxiliar as administrações na qualificação da gestão pública por meio de diagnósticos e planejamentos baseados em dados concretos.
“Nossa função é realizar estudos e análises que gerem conhecimento técnico, coletando e organizando dados, indicadores e mapeamentos de problemas. Assim, conseguimos oferecer aos municípios ferramentas para elaborar e implementar políticas públicas mais consistentes e eficazes. Nesta primeira etapa, já estamos atuando em cinco cidades: São Cristóvão, Simão Dias, Carmópolis, Propriá e Carira”, destaca Shirley.
Desafios e perspectivas
Na reunião com a Prefeitura, foram levantados os principais entraves para a intervenção, que envolvem desde limitações ambientais até questões ligadas à atividade econômica da área. “O maior desafio será alinhar o projeto de reurbanização às normas ambientais, que estabelecem restrições importantes para qualquer intervenção. Além disso, é preciso considerar os bares já existentes no espaço, que deverão ser incorporados ao plano sem comprometer a apropriação comunitária nem a dinâmica econômica do local”, explica Rayane.
Para os arquitetos da Prefeitura, Anne Ayrlles e Lucas Santana, também existem desafios de ordem social, já que muitos moradores têm laços culturais e afetivos com a área, dependem economicamente do rio e temem mudanças que possam prejudicar sua rotina. Questões de segurança também foram apontadas, pois o local sofre com riscos de enchentes, erosão, instabilidade do solo, saneamento deficiente e dificuldade de acesso a serviços essenciais.
“As normas ambientais de órgãos federais e estaduais impõem restrições como a proteção de Áreas de Preservação Permanente e exigências complexas de licenciamento, que envolvem estudos de impacto, autorizações e garantias de salvaguarda à comunidade. Por isso, torna-se indispensável adotar soluções técnicas, sociais e ambientais integradas, com projetos participativos e adequados à realidade local, assegurando intervenções seguras, legais e aceitas pela população”, apontam os arquitetos.
A equipe de planejamento vê na reurbanização uma oportunidade de grande impacto para Propriá. O projeto pretende transformar a Prainha em um espaço mais acessível, seguro e acolhedor. Estão previstas melhorias como modernização do saneamento, contenção das margens do rio e implantação de novas áreas de lazer com iluminação e acessibilidade.
Essas mudanças também visam movimentar a economia local e impulsionar o turismo, representados pelos bares e comércios já instalados. “A ideia é fortalecer o que já existe, promovendo o turismo e ampliando as oportunidades de emprego. Com a requalificação, acreditamos que a Prainha possa se consolidar como cenário de eventos, como competições náuticas e de areia, atraindo visitantes e fomentando o desenvolvimento econômico”, afirmam Anne e Lucas.
Experiência acadêmica em prática
Desde o início, a participação popular tem sido considerada essencial. A estudante de Arquitetura e Urbanismo Amanda Santos, integrante do NUPPE, relata que ela e a colega Bruna Martins visitaram a área para conversar com moradores e comerciantes, entendendo suas demandas e expectativas.
“Fomos ao local observar a realidade do espaço, dialogamos com os arquitetos e ouvimos diretamente os moradores sobre suas necessidades e desejos em relação à Prainha. Também pesquisamos a história da cidade para fundamentar melhor as propostas. Além disso, fizemos um levantamento de dados para responder a questões como: qual é o uso atual, o que pode ser aprimorado para torná-lo mais seguro e acolhedor, como a revitalização pode estimular o comércio local, entre outros pontos”, explica Amanda.
Segundo ela, o maior aprendizado foi perceber a importância do contato direto com a população. “Não podemos apenas deduzir o que será positivo para a comunidade. Projetar espaços públicos exige diálogo, ouvir quem vive e utiliza o lugar. Foi uma experiência muito valiosa. Os profissionais envolvidos têm uma visão profunda da cidade, sabem de suas potencialidades e fragilidades e estão realmente empenhados em promover melhorias de forma qualificada”, conclui.
Próximas etapas
Com a fase inicial concluída, a equipe já se prepara para os próximos passos, que incluem análise de referências, desenvolvimento do processo criativo e a produção dos primeiros esboços do projeto. Apesar de ainda não haver uma previsão definida para o início das obras, a prefeitura e os parceiros seguem empenhados em tornar as mudanças realidade no menor prazo possível.
Por: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit
LEIA TAMBÉM
Apreensão de Peso: Denúncia leva Polícia Militar a localizar 133 kg de maconha escondidos na mata em Laranjeiras
17 de setBombeiros socorrem homem ferido após salto em cachoeira em Nossa Senhora das Dores
17 de setCarira ganha nova base do Batalhão de Caatinga para ampliar segurança no Agreste
17 de setReceba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

